Negociava um trabalho de assessoria numa empresa com seu diretor comercial, quando entrou na sala o gerente
comercial mostrando a nova distribuição das carteiras de clientes, tendo em vista a promoção de 3 novos
supervisores. Ufa!, pensei comigo mesmo, este já me resolveu um problemão, pois mexer nas carteiras de clientes é um sofrimento e gera muito tititi.
Qual não foi minha surpresa quando de maneira bem sarcástica começaram a falar sobre o que aguardavam os
novos supervisores: para um foi destinada a carteira de clientes inativos há mais de 5 anos; para outro, uma área
que já foi trabalhada e que gerou poucos negócios, para outro, ex-clientes que não queriam nem ouvir o nome da
empresa por problemas anteriores... e eles riam, se esborrachavam de rir.
Ao perceberem minha cara de espanto e um sorriso amarelo, foram logo falando: tem que comer o osso, pois aqui
não tem moleza! No que perguntei:
estes não são os novos supervisores promovidos semana passada? E a resposta
foi positiva. Sim, depois de ouvirem tanto sobre a empresa, sobre as possibilidades de sucesso e crescimento pessoal e profissional, lá estão os pobres coitados sofrendo a primeira de muitas humilhações. Ao questionar critérios tão estapafúrdios, disseram que é assim mesmo, que é o batismo de fogo, que só os bons sobreviveriam, etc.
E neste instante passou um filme na minha mente e me lembrei das vezes em que comecei num novo emprego, ou
que tinha sido promovido. Com as devidas exceções, me senti no meio de uma guerra tendo como arma um cortador
de unhas para duelar com gente com possantes canhões...
Não foi bom e, as cicatrizes que carrego ainda doem,
porém adianto que como Cristão, perdoei a todos e aprendi o que não fazer para os outros.
Nas empresas, devido à falta de critérios, não se faz um planejamento de carreira para os funcionários que se
destacam. Quando muito se dá uma diferenciação salarial, para depois, promover um deles.
E que desastre! O pobre foi promovido para seu limite inferior de competência. Para o novo cargo, quando muito só tem a competência técnica, mas nada sobre a competência gerencial, para a gestão de sua área.
E o que vemos? Um espantalho que passa a usar gravatas (se for mulher, deixa de usar roupas tidas como muito
insinuantes) e sem estar minimamente preparado, é convocado para reuniões; para atender clientes, para participar
de algum grupo de trabalho. E o que ele mais ouve? Precisa ter bom senso e jogo de cintura.
.
Quando ainda ouço que deveria ter tido bom senso, na verdade meu interlocutor está querendo dizer: você deveria
agir como eu agiria, caso estivesse no seu lugar. Pura cópia, nada mais. Quanto ao jogo de cintura, ouça-se
"embromação, enrolação, deixa pra lá ô meu, empurra com a
barriga!"
Na falta do planejamento de carreira, quando os destaques poderiam ser treinados, recebendo orientações sobre as
atribuições do novo cargo, sugiro nomear um tutor para o funcionário promovido, com a missão de orientar,
aconselhar e prevenir o novato sobre possíveis problemas o que o novo cargo representa.
Ao nomear um tutor, não corremos o risco de acontecer o que foi relatado logo no início deste texto?
Minha primeira sugestão ao começar a assessoria foi designar o gerente tutor dos novos supervisores. Mas não a
única. Ela veio acompanhada de um desafio sobre as metas para o gerente, com a justificativa de que teria 3 novos
supervisores...
Sabe o que aconteceu? Jogou fora aqueles lixos que queria destinar aos pobres coitados, fez uma
adequada redistribuição de carteiras. E para o diretor dei o livro O Monge e o Executivo e espontaneamente ele se tornou tutor de seu gerente. E hoje,
qualquer novo funcionário ao entrar na empresa, ganha um tutor. Isto não é tudo mas é um bom começo. Respeito
é bom e todo mundo gosta!