Muita
gente confunde falar muito com se comunicar bem, que são coisas
totalmente diferentes. A verdade é que a boa comunicação deixa a
desejar e as falhas ocorrem geralmente pelo egocentrismo dos seres
humanos. Todos nós gostamos que nos ouçam, mas não damos nossos
ouvidos para os outros com facilidade. Com isso, a comunicação fica
distorcida, pouco compreensiva, levando-nos muitas vezes a resultados
negativos.
Em
vendas, por exemplo, a falha na comunicação é evidente e
predominante na maioria dos casos, com resultados desastrosos. Pois,
em plena era do cliente, em que a venda passou da transação para o
relacionamento, muitos vendedores ainda insistem em trabalhar no
estilo camelô, ou seja, vender só na base do discurso, sem querer
ouvir o cliente. É um trabalho totalmente arcaico, fora dos padrões
da atualidade, fazendo com que o cliente mantenha o máximo de distância
desse profissional, além de arranhar a imagem do bom vendedor.
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Saindo
do campo das vendas, a falha na comunicação está também presente
em todos os momentos da nossa vida. É no bate papo do dia-a-dia, em
palestras, solenidades, nos discursos, escolas. Muitas vezes somos
obrigados a ouvir o que não nos interessa, porque quem está falando
está pouco preocupado com quem está ouvindo.
E
têm pessoas que parecem gostar tanto de ouvir a sua própria voz que
quando começam falar não param mais. Se for um discurso, por
exemplo, o que pode ser dito em dez minutos, esse tempo será gasto só
com a abertura. Imagine quanto tempo de falação não vem pela
frente!
Interessante,
ainda, que muitas delas se empolgam tanto com sua fala e por pensarem
que a platéia também entrou no mesmo clima, perdem a noção dos
seus limites. Dizem e redizem a mesma coisa e não percebem que já
estão enchendo o saco.
.
No início dos anos 80, como gerente de uma multinacional,
participei de uma solenidade de despedida de um diretor, que estava se
aposentando, e ao mesmo tempo era a posse do seu sucessor. Foi um
jantar com um show artístico. Antes, porém, aconteceram os discursos
pelas pessoas previamente escaladas. Após a sessão de discursos,
iniciou-se o jantar.
Lá
pelas tantas um colega pegou o microfone e achou de fazer um discurso,
sem o mínimo cabimento, em homenagem novamente às duas pessoas.
Elogiou tanto o que estava se despedindo, em detrimento ao empossado,
perdendo-se totalmente na sua fala, ficando o sucessor relegado a um
plano bastante inferior, e ainda com o nome pronunciado de maneira
errada pelo orador. Daí em diante o ambiente de festa se transformou
num clima pesado. Para encerrar, ainda recitou um poema de quase meia
hora de duração. Que decepção! Mas isso é bastante comum no nosso
cotidiano.
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Por outro lado, existem pessoas com um bom nível de
conhecimento, que se expressam bem, mas que são portadoras de um
grande defeito. Além da falta de dedicação à escuta, são experts
em completar antecipadamente o pensamento do interlocutor. Isso é
chato, pois não só interrompe o raciocínio, como dá um monte de
bola fora, truncando o diálogo e irritando o interlocutor. Num diálogo
desse tipo entre vendedor e cliente dificilmente se chega a um
denominador comum, a venda não se concretiza. O leitor certamente
conhece pessoas com essa característica, não é mesmo?
.
O principio da comunicação não está em falar bonito, com
palavras difíceis e frases de efeitos, como muita gente pensa e age.
Não é dizer coisas que muitas vezes só emocionam a si próprio e não
ao ouvinte. A boa comunicação se baseia na arte de falar bem, que
significa fazer-se entender e entender o interlocutor. Se for em público,
deve-se levar uma mensagem clara, objetiva, inteligível, que desperte
o interesse e não canse quem está ouvindo. Pois não existe coisa
pior do que pessoas prolixas, que não sabem se expressar com
objetividade, tipo daquelas que fazem tudo pela maneira mais difícil.
É como a pessoa que ao fazer o uso do cotonete para limpar o ouvido
esquerdo utiliza-se da mão direita. Então é muito importante fazer
uso da empatia.
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Segundo
Epíteto: -
"A
natureza deu ao ser humano uma língua e dois ouvidos, para que ele ouça
duas vezes mais do que fala".
Entretanto,
não se pratica isso facilmente, pois muitas pessoas fazem uso da audição
erradamente, porque estão com os pensamentos mais concentrados nos
seus argumentos ou nas respostas que vão dar do que entender o outro.
No caso do vendedor não profissional, ele está mais interessado em
resolver o seu problema do que o do cliente e por essa razão não
quer “perder”
tempo ouvindo-o com atenção. Tem que prevalecer suas idéias, seus
pensamentos, seus argumentos. Não percebe que a perda de tempo é
muito maior quando não se ouve, pois o cliente não compra de quem não
lhe quer dar atenção.
.
A boa comunicação envolve um conjunto de fatores, além da
fala e audição, como a capacidade de enxergar, a postura física, os
gestos, a concentração no diálogo, que nos denunciam facilmente. E
a sintonia na comunicação é diretamente proporcional ao nível da
prática desses fatores. Portanto, estar sempre com o nível máximo
de atenção ativo, sinalizando com um aceno de cabeça, curtas
respostas, sorrisos, mantendo um bom contato visual, fazendo perguntas
sem interromper o interlocutor, são fundamentais. Além do mais, não
mudar de assunto bruscamente só porque não está nos interessando,
como também repetir algumas palavras do interlocutor, demonstra o
nosso interesse na conversa.
..
Para que a comunicação passe do desencanto para o
encantamento, com reflexos altamente positivos, é de suma importância
a observação e a prática dos princípios sugeridos por Dale
Carnegie:
-
Torne-se
verdadeiramente interessado na outra pessoa.
-
Sorria.
-
Lembre-se
de que o nome da pessoa é para ela o som mais importante de
qualquer língua.
-
Seja
um bom ouvinte. Encoraje a outra pessoa a falar dela.
-
Fale
coisas de interesse das outras pessoas.
-
Faça
a outra pessoa se sentir importante e faça isso sinceramente.
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SR.
PROF. ANTÔNIO DE PÁDUA B. BRAGA
Consultor
da SAGRA - Consultoria em Vendas
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