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Conversando com um amigo que gerenciou uma empresa por alguns anos, disse-me ele que ficou indignado quando fora demitido. Achava que um dos diretores era injusto por não entender e aceitar muitas de suas atitudes. Assim também eram as pessoas sob seu comando, geralmente resistiam às suas ordens.
Depois de bater cabeça em outros empregos, tentando se firmar, passou a entender que o ex-patrão tinha razão. Que, aliás, fez até um bem para ele, pois somente assim reconheceu os erros que cometeu e não admitira.
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Por ser uma pessoa jovem e considerar-se competente, acreditava ser o dono da verdade. Agia com rigor e as pessoas tinham que obedecer. Mesmo insatisfeitas, eram obrigadas a executar as tarefas designadas ou então a porta de saída da empresa estava aberta.
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Fez muitas inimizades e o seu trabalho não apresentava os resultados desejados. A diretoria cobrava números, mas ele atribuía a culpa do baixo desempenho aos colaboradores. E assim a porta de saída foi aberta para ele.
Disse-me que mudou totalmente de atitude na empresa onde está atualmente, pois passou a entender o que é trabalho de equipe e qual o papel de um líder. Coisas que não dava importância.
Na empresa anterior, quando ocorria algum erro, antes de partir-se para a solução imediata, procurava-se o autor da obra para puni-lo.
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Na atual é exatamente o contrário. Primeiro a solução e depois detectar a falha, não para punir o responsável, mas para orientá-lo com o objetivo de acertar.
Impera o trabalho de equipe, reinando harmonia, união, cooperação, compreensão, respeito, comunicação, delegação de tarefas. Com isso, todos estão sempre motivados e entusiasmados. É o oposto do que ocorria na outra empresa, onde pagou um preço alto pela inexperiência, recheada de teimosia e autoritarismo, mas que serviu de lição.
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Na realidade, isso é muito comum nas empresas: Por confundir-se cargo com poder, destroem-se boas equipes e os resultados são altamente desastrosos. Acontece principalmente quando as pessoas não estão preparadas para assumir funções de liderança e são colocadas no lugar errado.
O nosso amigo passou a entender que liderar não é somente exercer um cargo de chefia e ser poderoso. Ser líder é muito mais do que isso, sendo desnecessário ter cargo para desempenhar bem essa função.
Há uma grande diferença entre exercer um cargo de poder e liderar: Muitos acham que por estarem numa função de comando devem mandar e o subordinado simplesmente obedecer, mesmo que não esteja satisfeito ou de acordo. É a vaidade do cargo de chefe.
Enquanto isso, o líder verdadeiro pensa e age de maneira diferente. Ele pede e o colaborador executa com toda boa vontade, conferindo-lhe ainda mais poder de liderança. Pedir não diminui a autoridade; pelo contrário, aumenta.
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Por outro lado, quando algo sai errado para o chefe mandão ele diz rapidamente
"você errou". Já o líder assume a responsabilidade pelo erro. Aliás, esse tipo de chefe nunca erra, pois sempre encontrará um culpado. Recentemente presenciei um caso desses.
Em visita a uma empresa, conversava com o gerente, quando chegou um cliente para reclamar de um erro no faturamento do seu pedido. Queria uma solução imediata do problema, pois tinha pressa. Antes de o cidadão agir para resolver, foi à caça de quem falhou, atribuindo logo a culpa a um estagiário, que se defendeu com uma autorização assinada pelo próprio gerente.
Não se dando por satisfeito, falou que isso era falta de atenção da equipe, pois alguém deveria ter descoberto o erro e consertado a tempo.
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O certo é que para essas pessoas haverá sempre um culpado. E onde há estagiário, então, os chefes nunca erram. Coitado dos estagiários!
Para que os colaboradores "errem" menos, é necessário que as pessoas de comando nas empresas exerçam o real papel de líder.
Mas, para isso, têm que desaprenderem a ser chefes e, ao mesmo tempo, aprenderem a assumir responsabilidades.