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"Muitas
pessoas são muito educadas para não falar com a boca cheia,
porém
não se preocupam em fazê-lo com a cabeça oca"
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Num
dos meus treinamentos de vendas, uma vendedora de autopeças, que também
vende pneus de uma determinada marca (A,
por exemplo),
argumentou que às vezes o possível cliente já vem decidido pela compra
da marca B e então fica difícil para faze-lo mudar de idéia. Perguntou
então:
1
- o que fazer num caso desse para vender o seu produto?
2
- deve indicar onde o cliente comprar o pneu concorrente, já que ela não
vende?
Interessante
ainda que o assunto surgiu porque eu estava falando justamente que muitos vendedores
desconhecem as vantagens e benefícios dos seus produtos. Citei como
exemplo os sulcos dos pneus, que muitos vendedores não sabem a finalidade
disso e na sala tinha alguns profissionais do ramo que também
desconheciam! Realmente nesse caso é difícil fazer o cliente mudar de idéia.
-
Ora,
se o profissional não tem um bom conhecimento do seu produto, como
poderá fazer argumentos seguros e convincentes?
-
Como
poderá mostrar vantagens e pontos fortes do seu produto para que o
cliente mude de idéia em relação ao concorrente?
Ainda,
se o vendedor desconhece o seu produto, imagine o que ele sabe sobre o
concorrente! Sendo assim, dificilmente o cliente se sentirá seguro
comprando um produto que tanto ele quanto o vendedor desconhecem e que, em
muitos casos, é um excelente produto.
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É
por essa e outras razões que os clientes oferecem resistências ao
comprar produtos/serviços e muitos vendedores
não entendem. Acham que os clientes
são exigentes; não entendem de nada, mas querem dar uma de espertos ou
talvez não foram com a cara deles.
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A
verdade é que essas resistências, que são as objeções que os clientes
fazem, ocorrem por vários motivos e em todos os dias de trabalho do vendedor.
E se o profissional
não estiver
preparado para vender ele terá sempre dificuldade para contorna-las.
Pois, como se sabe, as objeções, as resistências, são coisas naturais
de qualquer pessoa, mesmo numa conversação normal onde se discute
determinado assunto. Na venda,
então, é que elas vêm mesmo à tona!
-
Mas
o que vem a ser mesmo objeções?
-
O
que significa esse NÃO que o cliente sempre dá?
-
Ele
não quer mesmo comprar ou é por que gosta de encher o saco do
vendedor?
Graças
a Deus, não é nada disso. Ele realmente tem interesse em comprar, senão
nem perdia tempo com o vendedor. Este é que não está apto a reverter o
quadro, isto é, transformar o NÃO
num SIM
convincente. Na verdade quando o cliente objeta é porque está
interessado em mais informações sobre o produto/serviço. É como se
estivesse dizendo: - "fale-me
sobre o seu produto", "dê mais informações para que eu
perceba utilidade nele"
etc.
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Então,
podemos dizer que o cliente
não está dando um NÃO
definitivo, mas simplesmente uma desculpa para não comprar no momento, até
enquanto não estiver convencido do bom negócio que está fazendo. Porém,
isso tem um limite, pois se o profissional não estiver preparado para
supera-la, com certeza, ele irá procurar quem esteja.
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Entretanto,
as objeções não ocorrem somente por falta de conhecimento do produto/serviço.
Esta é apenas uma delas. Existem outras que são bastante comuns e que
vale a pena ressaltarmos.
Falta
de necessidade do produto/serviço oferecido,
porque o vendedor falhou na pré-venda ou mesmo na sondagem, querendo
vender aquilo que não satisfaz as necessidades e problemas do cliente.
Muitas vezes o profissional tem o produto certo, mas está faltando
identificar a real necessidade do cliente para encaixar o benefício
certo.
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Produto/serviço,
que muitas vezes é o adequado,
com excelente qualidade, preço competitivo, mas o profissional não
consegue transmitir a mensagem por ocasião da apresentação/demonstração.
Com isso não consegue fazer com que o cliente perceba a
utilidade/valor, com base nos benefícios do produto. E muitas vezes
isso acontece porque o vendedor é especialista em características de
produto, quando na realidade o cliente tem interesse nos benefícios, na
solução dos seus problemas. Ou seja, ele pensa assim: "que
vantagem terei em usar/consumir este produto"?
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Empresa/vendedor
é uma outra objeção
que ocorre porque primeiro o cliente compra a imagem do vendedor, depois
a credibilidade da empresa para em seguida comprar o produto. Ele quer
saber se o vendedor está falando a verdade e se a empresa é credível.
E se tiver algum problema com o produto ora em negociação, a empresa
troca? A garantia é confiável? A assistência técnica é boa e rápida?
E aquelas empresas com o financeiro desorganizado, que protestam o
cliente indevidamente, mesmo com duplicatas pagas no vencimento? Tudo
isso está em jogo e mexe com a cabeça do cliente na hora da compra.
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De
tempo, é uma que ocorre principalmente com vendedores desorganizados,
sem planejamento, que não fazem pré-venda. Aqueles que chegam sempre
na hora errada, por desconhecerem com mais profundidade os seus
clientes. Todo vendedor profissional, comprometido e organizado, deve
conhecer bem o perfil e as características de cada cliente. Quais são
seus hábitos, do que gostam, o melhor horário de atendimento, de modo
a planejar melhor o seu trabalho para obterem o máximo de resultados,
além de deixar o cliente satisfeito por não serem incomodados no
momento de mais ocupação.
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Satisfação
com fornecedores/produtos atuais,
muitos vendedores quando se deparam com tal situação ficam bastante
passivos, sem ação, simplesmente colocando-se à disposição para
futuros negócios, na expectativa da insatisfação do cliente em algum
dia. E por que não agir para descobrir como superar o concorrente? Como
está a prestação de serviço do concorrente? Será que o seu produto
não tem benefícios exclusivos? O cliente realmente está satisfeito ou
existe alguma brecha com insatisfação, que permita a oportunidade de
mostrar o seu serviço, a sua superioridade?
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Preço
alto, é a mais comum e deixa muitos vendedores embaraçados,
porque se prepararam para vender preço e não benefícios e valor.
Muitas empresas têm ótimos produtos, ótimos serviços, mas os seus
vendedores não sabem agregar isso na argumentação de venda. E o
cliente, por não perceber valor, como é normal, vai achar que o preço
cobrado é injusto. Um produto desconhecido, mal compreendido, sem
percepção de utilidade, na realidade é caro. E somente os
profissionais são capazes de lidar com mais facilidade para contornar
uma objeção de preço. Os não profissionais só sabem falar em
descontos ou prazos longos. Aliás, nem acreditam nos seus preços.
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SR.
PROF. ANTÔNIO DE PÁDUA B. BRAGA
Consultor
da SAGRA - Consultoria em Vendas
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