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Pensando
bem, como seria o mundo dos esportes se não existissem adversários
com níveis competitivos semelhantes?
Só
os fortes de um lado e os fracos do outro?
Certamente
não teria a menor graça, tanto para os praticantes como para os
admiradores. Vejamos a Fórmula Um após a morte do nosso Senna (que
saudades!),
sem brilho, sem motivação, para os admiradores do automobilismo no
mundo todo! Passando para o campo empresarial e dos negócios, também
não é diferente.
Que
motivação teriam os funcionários se não estivessem sempre
competindo pelos cargos privilegiados nas suas empresas?
E
dos empresários, negociantes, vendedores, pela conquista dos melhores
negócios com os melhores clientes ?
Por
esse motivo que é importante a presença do concorrente em qualquer
atividade. É o momento de mostrar a competência de cada um. Competência
profissional, de habilidades e, sobretudo, de atitudes. Entre os
competidores com níveis semelhantes é que a vitória tem mais sabor.
Com os mais fracos, é deslealdade e a vitória torna-se
"insossa", sem aquele gostinho de vitória verdadeira.
No mundo das vendas, onde trabalho há três décadas, tenho
presenciado bons e maus exemplos de concorrência no mercado.
Concorrentes digladiando-se, autodestruindo-se, com práticas anti-éticas,
enquanto outros se beneficiam desse canibalismo. E é exatamente aí
onde está a diferença entre o verdadeiro empresário e o
"outro".
Em Campina Grande, Paraíba, tem uma grande empresa, do ramo
agropecuário, com umas quatro décadas de existência e bastante sólida.
Seu fundador, já falecido, que fora formado pela escola da vida, já
dizia há vinte anos que não existe produto caro. Existe, sim,
produto sem utilidade para as pessoas.
Quando recebia ofertas promocionais mirabolantes de produtos
sazonais fora de época, ele perguntava: "O que vou fazer com
esse produto durante seis meses, se não existe comprador para ele
nesse período?" Dizia ainda: "Hoje o seu produto é caro,
mas na hora certa ele é barato". Ainda mais que o consumo
dependia do inverno (chuvas no NE), que nem sempre é garantido.
Conheço, em Caruaru, Pernambuco, outro empresário do mesmo
ramo, competente e respeitado, que está também no mercado há mais
de 30 anos. Quando se instala uma empresa concorrente na sua cidade,
ele comenta: "Mais colega para o engrandecimento de nossa cidade;
que seja bem-vindo!" Não se abala, como outros, que partem para
a prática de preços baixos, na tentativa de conquistar e/ou não
perder clientes. Esquecem-se de que isso não agrega valor nem gera
clientes de longa vida.
Ele trabalha em cima de planejamento, custo, lucro, qualidade
nos serviços etc. Não é à toa que está esse tempo todo no
mercado. Sua empresa começou pequena, como muitas, e atualmente é
grande e sólida. Um dos grandes méritos desse empresário é a sua
simplicidade! O sucesso não subiu para a cabeça e todos os seus
clientes e amigos reconhecem isso.
No segmento agropecuário, especialmente de defensivos agrícolas
(que conheço bastante), muitos fabricantes ao invés de solucionar
problemas, criam mais problemas para seus clientes (distribuidores),
os quais transferem para as revendas e estas, por sua vez, para os
consumidores. É uma corrente cujo elo se quebra entre o
ponto-de-venda e o consumidor, o qual não tem onde usar o produto,
que fica para parado no estoque da revenda.
As indústrias forçam os seus clientes a fazerem grandes e
desnecessários estoques, com prazos de pagamentos de até 12 meses,
para terem o direito da exclusividade. Tudo bem, mas se o produto não
girar? E se perderem a validade nesse período? Enquanto isso não
acontece, algumas dessas empresas partem para a prática da concorrência
predatória e salve-se quem puder. São preços iguais ao custo, na
tentativa de escoar produtos e não perder mercado.
Inicialmente, os fabricantes pensam que resolveram um problema.
Escoaram o que produziram e receberam o dinheiro, já que a venda é
financiada através de banco. E depois, se não houver o escoamento
para o consumidor? A solução é simples: prorrogações de
pagamentos (a contragosto), com direito a juros e tudo, levando-se o
problema de "barriga", com se diz na gíria. E o cliente
leva a pior.
Essa sim, é a negociação ganha-perde, desleal, pois a ética
e os problemas do cliente ficam em segundo plano. O profissionalismo
fica totalmente esquecido. Apenas os benefícios do fabricante são
visados, servindo-se do cliente que é a parte mais fraca do processo.
E onde estão os grandes administradores, os profissionais de
marketing, planejamento etc. dessas empresas ?
É importantíssima a presença de concorrentes competentes no
mercado. Aqueles que estimulam e motivam uma competição saudável,
estabelecendo uma relação ganha-ganha com seus clientes. E não tem
dúvidas de que isso se traduz principalmente na qualidade dos serviços,
como diferencial competitivo, além de outros fatores benéficos ao
consumidor, que sempre é penalizado pela sua fragilidade.
Entretanto, enquanto alguns fabricantes continuarem praticando
políticas desleais de vendas, a concorrência predatória manter-se-á,
em detrimento do sucesso do cliente.
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SR.
PROF. ANTÔNIO DE PÁDUA B. BRAGA
Consultor
da SAGRA - Consultoria em Vendas
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