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.BIBLIOTECA
EXCLUSIVA DO PROFESSOR
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EMPRESA
É LUGAR NATURAL DE CONFLITO
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SR.
PROF. HAMILTON BUENO
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Palestrante
em congressos, convenções e em eventos nacionais e internacionais.
Expert em formação de equipes de alta performance, credenciado pela
Richard Chang Associates, de usa.
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Eleito
Profissional do Ano 1997, pela Who-Is-Who International. Autor de inúmeros
artigos para jornais e revistas de circulação nacional.
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Uma
das primeiras histórias que a história conta para a maioria dos
ocidentais não é de paz: Caim e Abel não conseguiram dividir o
mundo todo em duas partes; um matou o outro. De fato, o homem é o único
animal que não tem mecanismos inibidores de agressividade e a usa
para muito mais do que a defesa estrita do seu território.
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A
seleção da humanidade se fez por muito tempo segundo os critérios
de agressividade.
Como
estranhar que a empresa, lugar do homem, seja lugar também dos
conflitos ?
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A
empresa torna-se um lugar privilegiado para os conflitos, quando
pensamos que, além de todas essas reflexões, os critérios seletivos
usualmente utilizados são altamente “colaboradores”
de situações conflitivas.
Quando uma empresa seleciona um arquivista, geralmente procura uma
pessoa com características como organização, concentração e, de
preferência, pouca ambição. Quando a seleção interna funciona nos
planos de carreira, os critérios para a ascensão gerencial são
muito diferentes. Nenhuma empresa procura gerentes pouco ambiciosos,
mas, ao contrário, ela os quer agressivos e com “garra”.
Durante
a sua carreira, os critérios de avaliação pelos quais os gerentes
são submetidos são impulsores de competitividade e agressividade.
Dessa forma, à medida que a pirâmide organizacional se afunila,
aumenta o número de agressivos no meio, ao mesmo tempo em que a
oferta de poder evidentemente também se afunila. É natural,
portanto, que a agressividade exigida pelo meio transforme-se em
conflito entre os pares, subordinados e superiores, uma vez que a
procura de poder não é inelástica como a oferta.
Se
o residual agressivo não for trabalhado com maturidade e inteligência,
os “jogadores”
desse esquema podem pagar altos preços pessoais, bem como a organização
como um todo que vê os seus resultados comprometidos pelo processo.
Se
a energia despendida na competitividade fosse gasta na busca da solução
de problemas comuns e não na tentativa de firmar posições
pessoais nos jogos políticos inerentes às funções gerenciais, os
resultados seriam muito mais saudáveis para todos.
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Isso resulta em uma densidade extrema de situações em que se
combinam as diferentes etapas de três caminhos principais (segundo
Mary Parker Follet, “The collected Papers of Mary Parker Follet”
, Harper and Brothers Publishers, 1940, e segundo Michael Fustier
“O conflito na Empresa” , Ed. Martins Fontes:
I
O caminho da recusa do conflitO:
- Que
conduz à impossibilidade ou recusa do diálogo, inquietação,
irritabilidade, ansiedade e até a estados graves de neurose.
O conflito reprimido é, de certa forma, mantido pelas práticas
gerenciais comuns às organizações. A empresa é um lugar onde se
trabalha e se fala pouco. As opiniões são “censuradas” , gerando
contatos superficiais. Nesse ponto, os superiores, de modo mais
incisivo que os subordinados, são privados das informações reais e,
à vezes, indispensáveis.
Não é incomum encontrarmos chefes cercados de “homens fiéis” ,
funcionando como muralhas de aprovação, de lealdade, cooperação,
que os protegem de informações indesejáveis.
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II
O conflito declarado: -
é o caminho da guerra, da luta que resulta da intenção declaradas
da partes em confronto de recusar a outra.
No caminho do conflito declarado, a situação dos adversários
agrava-se comparada com o caminho do conflito reprimido; cada um vê o
outro através da ótica da sua insatisfação, os gestos mais simples
são mal interpretados, as comunicações mais elementares não são
mais aceitas. Objetivos não são alcançados pelo desgaste de tempo e
energia em lutas pessoais.
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III
O conflito assumido -
é o caminho da solução do problema, onde cada uma das partes aceita
examinar com a outra a situação criada e leva seu esforço até a
colocação em prática de uma solução. O conflito é transformado
num problema a ser resolvido.
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Transformar um conflito num problema a ser resolvido é uma atitude
mental que não está à disposição das pessoas no momento em que
elas precisam. É uma forma de encarar as coisas, que depende tanto
dos valores de um indivíduo quanto das práticas gerenciais vigentes
no contexto organizacional em que ele está vivendo. Restabelecer as
comunicações numa organização significa desde o restabelecimento
das comunicações do homem consigo mesmo até as dele com a empresa.
Ao
longo do processo de socialização introjetamos uma matriz autoritária
disseminada na família e na escola. Ela se fará presente em todas
as relações interpessoais do adulto.
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Portanto, o caminho do conflito assumido como prática
organizacional não será conseguido apenas pela disseminação
deliberada desse valor, mas pela operacionalização desse valor em
todas as práticas gerenciais e pela consideração indispensável
dos processos individuais de relação com a autoridade.
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Os conflitos nas empresas se encadeiam e se multiplicam. A ausência
deles, sonho de muitos, seria a estagnação dos processos sociais.
A
resolução deles, a resolução real, sem proposições provisórias
de compromissos não efetivos, permite a evasão dos indivíduos de
seus quadros rígidos de referência e a utilização do seu potencial
criativo, resgatado para o progresso das instituições e das pessoas.
Tereza
Maria C. Vianna - Texto adaptado por Hamilton Bueno
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