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Segundo
Peter M. Senge, organizações de aprendizagem são aquelas “nas
quais as pessoas expandem continuamente sua capacidade de criar os
resultados que realmente desejam, onde surgem novos e elevados
padrões de raciocínio, onde as pessoas aprendem continuamente a
aprender em grupo.”
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I - AS CINCO
DISCIPLINAS DAS LEARNING ORGANIZATIONS
Disciplina é educação da vontade. Não é imposição ou ato de
autoritarismo ou dominação.
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Raciocínio
sistêmico
São fios invisíveis de ações inter-relacionadas, que produzem
efeitos uns sobre os outros.
Domínio
Pessoal
É a forma pela qual vemos a realidade de maneira objetiva.
Aprendemos a esclarecer e aprofundar continuamente nosso objetivo
pessoal, a concentrar nossas energias, a desenvolver a paciência.
Esta disciplina, tem, assim, uma base espiritual. A pergunta aqui é
“o que é importante realmente para nós?”.
Modelos
mentais
São as generalizações, os preconceitos, as idéias arraigadas,
muitos dos quais inconscientes e que influenciam nosso julgamento e
nossa ação.
Objetivo
comum
É uma habilidade de liderança de criar, transmitir,
compartilhar e convencer outros a respeito de uma imagem ou uma meta
a ser atingida. Diz respeito, portanto, a construção do futuro.
Aprendizado
em grupo
É a capacidade de grupo, por interatividade, produzir resultados
comuns maiores que a somas das individualidades. Isto se dá pelo diálogo,
que, da raiz grega significa livre fluxo de idéias. Assim, esta
disciplina exige aprender a reconhecer os padrões de interação
que facilitam ou prejudicam o aprendizado em grupo, e estimular a
espontaneidade e a criatividade, acelerando-as em “tempo real”.
“O aprendizado em grupo é vital porque a unidade fundamental de
aprendizagem nas organizações modernas é o grupo, não os indivíduos.
O fato é que a organização só terá capacidade de aprender se os
grupos forem capazes de aprender.” Peter M. Senge
As learning organizations buscam a metanóia, ou seja, uma mudança
de mentalidade, uma abertura mental para aprender sempre, resgatando
valores como a disciplina, a humildade, a paciência e a maturidade.
Metanóia é uma mudança radical, segundo sua origem grega.
A
seqüência é a seguinte:
-
Aprendizagem
de sobrevivência
-
Aprendizagem
de adaptação
-
Aprendizagem
generativa / Criatividade
II
- AS LEIS DAS LEARNING ORGANIZATIONS
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1.
Os problemas de hoje provêm das soluções de ontem.
Focamos
os sintomas, face à dificuldade de reconhecermos e isolarmos as
causas.
2.
Quanto mais você insiste, mas o sistema resiste.
A consolidação de novas práticas encontra sérias dificuldades,
face a acomodação ante a um precedente estabelecido.
3.
O comportamento melhora antes de piorar.
Trata-se do que se convencionou chamar de “o último suspiro”.
Ou seja, os sistemas resistem a “sair do ar”, e para se
manterem, colocam “roupa de missa”. É como um funcionário de
desempenho medíocre. No mês anterior à avaliação de desempenho
esmera-se para parecer um colaborador exemplar.
4.
A saída fácil geralmente nos conduz de volta à porta de entrada.
Velhos chavões e receitas conhecidas e dominadas são normalmente
eficazes para problemas específicos, que exigem soluções específicas.
Ao enfrentarmos os desafios com nossos clichês de sempre, numa
desesperada postura simplificadora, acabamos por manter o problema
ou ampliá-lo. Você já percebeu como as empresas tratam seus
conflitos: jogam-nos sob o tapete, e num processo de “ruminação”,
eles azedam e criam resistências ainda maiores.
5.
A cura pode ser pior que a doença.
Cuidado com as pseudo-soluções. Tomar aspirina todas as tardes ou
um tranqüilizante todas as noites pode inibir a doença por algum
tempo. Nunca curá-la. A cura definitiva se dá quanto enfrentamos o
problema de forma consistente, eliminado as causas ou colocando-as
sob controle.
6.
Mais rápido significa mais devagar.
Todos conhecemos a estória da corrida entre a tartaruga e o coelho.
A rapidez do coelho não lhe permite ver a essência das coisas. O
imediatismo inibe soluções mais definitivas. Nos Estados Unidos é
comum a expressão “devagar se anda depressa”. No Japão as
decisões são bastante estruturadas e por isso tem um tempo de
gestação. Mas, quando decidem! Vivemos uma era onde a agilidade é
fundamental. Entretanto, a capacidade de planejar, de antever o
futuro, de conceber cenários e tendências é fundamental para
estruturar as decisões.
7.
Causa e efeito não estão intimamente relacionados no tempo e no
espaço.
Se existe um problema na produção, procuramos o problema na produção.
Se marketing tem um problema, procuramos a resposta no marketing.
Sabemos que o problema oferece pistas para a solução, mas é
preciso ver além das árvores, é preciso ver a floresta, também a
montanha e se possível, todo o sistema ecológico.
O raciocínio divergente e uma análise abrangente, ampla, uma visão
de “helicóptero” pode nos ajudar a conectar causa e efeito.
8.
Pequenas mudanças podem produzir grandes resultados. - mas as áreas
de maior alavancagem são geralmente as menos evidentes.
Descobrir as forças que atuam sobre um sistema é o grande desafio.
O peixe só descobre a importância da água se for tirada fora
dela. Acostumamo-nos, ao longo do tempo. com o óbvio em nossas
atividades e nos deixamos deliciosamente sermos conduzidos pelo
convencional. As verdadeiras soluções entretanto exigem maior
compreensão sistêmica, análise profunda de interdependência,
para encontrarmos os pontos de alavancagem, estes sim, criam valor.
Muitos ministros da economia brasileira imaginaram: se os preços
sobem insistentemente, vamos congelá-los. Outro ministro
entretanto, ousou alinhar preços, realizando uma transição
planejada para um outro modelo, mudando as âncoras, mudando os
paradigmas.
9.
Você pode assoviar e chupar cana - mas não ao mesmo tempo.
Muitas vezes vivemos inúmeros dilemas, investir nos funcionários
ou enxugar custos, agredir o mercado ou racionalizar despesas,
desenvolver um novo produtos ou potencializar os existentes. A
verdadeira alavancagem se dá pela concatenação, com o
encadeamento, com a junção e ordenação dos elos, com a construção
de uma rede que abarque uma solução efetiva. Trata-se de saber
priorizar, planejar, programar, organizar, enfim, estruturar, para,
através da estratégia da concentração assobiar, e a seguir,
chupar cana.
10.
Dividir um elefante ao meio não produz dois elefantes.
A organização é um sistema vivo. Os sistemas vivos tem
integridade e suas características dependem do conjunto. Assim para
resolver o problema, é preciso identificar e compreender o sistema
que causa o problema. Três cegos encontram um elefante. O primeiro,
apalpando a orelha, exclama: é um tapete. O segundo, segurando a
tromba afirma, é um cano . O terceiro, segurando firme a pata
direita não tem dúvida: trata-se de um poste. Será que nossos
chefes são diferentes dos três cegos? O que enxerga o chefe da
produção, e o líder de marketing, e o especialista em finanças?
11.
Não existem culpados.
São sempre os outros. E assim nos protegemos de nossa própria
verdade, de nosso encontro com o espelho. Quanto os sistemas onde
atuo dependem de mim. Quanto sou cúmplice de minha acomodação, de
minha lamentação, de minha procrastinação
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Como
diz um dos mais brilhantes pensadores da qualidade, J. Juran:
Não
há culpados, o problema sempre é sistêmico.
Resolvamos
a interdependência e solucionaremos o problema.
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