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Uma
das maiores dificuldades enfrentadas pelas empresas da nova economia
é a diferenciação de seus produtos e serviços. Num
mercado cada vez mais competitivo, com consumidores cada vez mais
conscientes das ofertas e exigentes nas suas escolhas, ser capaz de
desenvolver uma oferta capaz de seduzir pela exclusividade pode ser a
diferença entre continuar existindo ou desaparecer.
Em busca de uma oportunidade de parecer diferente e exclusivo aos
olhos de seus clientes, os bancos vêm fazendo expressivos
investimentos em campanhas publicitárias e outras ações
promocionais. Todos
os dias recebemos "ofertas
especiais"
de nossos bancos. Como se fossemos afegãos, somos bombardeados por anúncios
na TV, spots nos rádios e propagandas nos jornais que prometem,
sempre, que os produtos e serviços daquele anunciante são únicos e
exclusivos.
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Algum de nós se deixa seduzir e acabam experimentando essas
ofertas. Ao recebermos aquele "novo"
cartão de débito e crédito, ou o primeiro extrato daquela
modalidade exclusiva de aplicação, temos a impressão de ter entrado
para uma sociedade fechada, da qual apenas alguns poucos privilegiados
participam. Poucos dias depois às vezes no mesmo dia verificamos que vários
concorrentes do "nosso"
banco estão oferecendo produtos exatamente iguais ao que acabamos de
comprar. Nossa sensação é de termos sido enganados, que compramos
"gato
por lebre"
e aí se instala em nós uma imensa dissonância cognitiva. Você poderá, neste momento, estar se lembrando que algo
parecido lhe aconteceu na semana passada.
Por que será que isso é tão
freqüente?
Será que os profissionais de marketing dos bancos não
perceberam, ainda, que exclusividade é algo fácil de oferecer mas
difícil de manter?
Na nossa opinião o que ocorre é que os bancos assim como vários
outros setores não estão usando a tecnologia da informação para
fazer as coisas diferentes. Eles se limitam a utilizá-la para prestar
serviços mais rápidos ou com maior eficiência operacional. Para exemplificar melhor essa idéia, pensemos no home banking.
Em um artigo intitulado
Internet
and Strategy,
o guru Michael
Porter diz
que "observada com isenção, a Internet não é necessariamente
uma benção. Ela tende a reduzir a rentabilidade em muitos setores,
pois nivela as práticas dos competidores e reduz a chance de se
estabelecer vantagens operacionais sustentáveis". O articulista
diz mais à frente que os ganhos em eficiência via Internet são
reais e têm que ser perseguidos, até mesmo porque não existe a opção
de deixar de fazer aquilo que todos estão fazendo. Ë aí que mora o
perigo: todos
estão fazendo!
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A Bain
& Company
respeitada consultoria americana realiza, desde 1993, uma pesquisa que
visa identificar as ferramentas de gestão mais utilizadas por
centenas de empresas em 20 países, inclusive o Brasil. Em 2000, o
benchmarking foi a terceira ferramenta de gestão mais utilizada pelos
executivos mundos afora. No nosso país foi a segunda, só perdendo
para o Planejamento Estratégico. Estes números são mais uma evidência da idéia que
defendemos neste artigo: as empresas em geral e os bancos em
particular vêm se especializando em copiar uns aos outros, sem
apresentar aos mercados diferenciais competitivos que possam fazer com
que a decisão de compra do cliente recaia sobre os seus produtos e não
os da concorrência.
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Você poderá estar pensando que existem produtos que não
podem ser diferenciados. Como fazer com que o consumidor considere que
a minha caderneta de poupança é melhor do que a do meu concorrente,
se ambas por razões legais são exatamente iguais? O segredo é
diferenciar o relacionamento com o cliente, e não o produto.
Peguemos como exemplo o financiamento habitacional. Como todos
sabem, parte dos recursos captados em poupança é utilizada para
financiar a construção e aquisição de imóveis. Existem
basicamente dois tipos de empréstimos para quem quer comprar um imóvel:
o tradicional Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e a carteira
hipotecária. A diferença entre os dois é que no SFH o valor máximo
do financiamento é de 300 mil reais e a carteira hipotecária não
tem limite legal. Segundo uma importante revista de negócios, no mês
de maio, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Unibanco e Santander
tomaram, todos, a decisão de ou diminuir o limite de financiamento ou
aumentar a renda mínima exigida. O mesmo artigo diz que o BankBoston
decidiu agir diferente e manter a mesma política anterior,
permanecendo de olhos abertos para aproveitar oportunidades que venham
a surgir no mercado.
É lógico que, com um cenário de recessão pela frente, é
razoável pensar que as empresas queiram diminuir seus riscos. O
problema é que, para comprar um imóvel, já não é preciso mais
depender da boa vontade ou do interesse dos bancos. Existem hoje no
Brasil cerca de 80 administradoras de consórcio autorizadas pelo
Banco Central a trabalhar com imóveis. Há especialistas financeiros
que não hesitam em afirmar que, para o tomador do empréstimo, o consórcio
é uma opção muito melhor do que o crédito imobiliário. Basta
fazer as contas e verificar que a taxa de administração
tradicionalmente cobrada (20%), corresponde, num plano de 10 anos, a
juros de
0,166%.
Como diz a presidente da Associação Brasileira de Administradoras de
Consórcio, "nenhum
banco poderia oferecer isso".
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Se um banco resolvesse utilizar sua imensa massa de dados para
lançar um produto realmente diferenciado teria, por exemplo, que
determinar clusters de clientes com capacidade de comprometer parte de
sua renda na aquisição de imóveis. Precisaria desenvolver uma
abordagem a esses clientes que oferecesse não apenas crédito, mas
uma consultoria financeira capaz de engenhar uma compra realmente
vantajosa, aproximando-se como um parceiro capaz de sincera e
verdadeiramente comprometer-se com o sucesso do cliente (e não apenas
mais uma empresa interessada em ganhar um dinheirinho).
É
verdade que, por melhor que fossem os esforços empreendidos, pode ser
que o prospect não se interesse por comprar o imóvel. Então jogamos
dinheiro fora fazendo tudo isso, dirão os mais afoitos. É claro que
não! Mesmo que não tenhamos feito negócio nesta oportunidade, ficará
na mente do cliente a lembrança que foi oferecido para ele algo
verdadeiramente especial, sintonizado com suas possibilidades e
necessidades. Na próxima vez que precise de um serviço financeiro,
tenderá a se lembrar primeiro daquela instituição que, ao invés de
se preocupar apenas com a maximização de seus resultados de curto
prazo, investiu tempo e esforço para tentar se tornar parceira de
seus melhores clientes.
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