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.. . ÉTICA E NEGOCIAÇÃO . . .SR. PROF. JOÃO BAPTISTA VILHENA . GRUPO MVC / COSTACURTA & ASSOCIADOS. coordenador do MBA em Gestão Comercial da: FGV - FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS . . |
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Nos dias atuais, muito se tem falado sobre ética. Mas pouco se tem feito para tornarem mais éticas as negociações conduzidas em nome de empresas que juram tê-la como um de seus principais valores. Enganar o cliente, prometer o que não pode ser cumprido, omitir informações estratégicas são comportamentos estimulados explícita ou implicitamente por muitos gestores. . Acho este assunto inesgotável. É por isso que neste artigo vou privilegiar apenas um dos inúmeros sistemas classificatórios existentes: o que correlaciona ética com legalidade. Para conferir o tema sob esse prisma, vou utilizar uma matriz proposta por Lewicki que indica quatro possibilidades básicas de comportamento:
Ou, se formos olhar de forma matricial:
. Ético Não
ético Legal ético/legal não
ético/legal Ilegal ético/ilegal não
ético/ilegal . 1º.
caso: comportamento não ético/ilegal: - Vamos
começar por um exemplo radical de comportamento que não é ético nem
legal: a propina. Infelizmente várias empresas
acham que, para vender em certos mercados, somente "dando
uma bola para o comprador".
Em primeiro lugar, não acredito que isso seja verdade, uma vez que vejo
empresas sérias vendendo para clientes que têm a fama de "boleiros".
Tenho certeza que essas empresas não empregam a tática suja da
propina. . Se
sua empresa tem algo de realmente bom e diferente para oferecer e todo o
mercado reconhece e deseja essa diferença, dificilmente um comprador
corrupto conseguirá justificar para seus clientes internos a compra do
produto concorrente. Por
outro lado, é óbvio que se há corrupto, há corruptor.
Ambos são apenas as duas faces de uma mesma moeda podre. Se sua empresa
estimula ou faz "vista
grossa"
para esse tipo de
comportamento, das duas uma: mude-a
ou mude de empresa. 2º.
caso: comportamento ético/ilegal: - Como
sabemos, a informação pode ser considerada como um dos principais
fatores que influenciam o comportamento ético nas negociações. Sob
essa perspectiva, ocultar algumas informações da outra parte com a
qual estamos negociando, normalmente é considerada uma atitude
eticamente aceitável. Mas, dependendo da legislação, podemos ir parar
nas barras do tribunal por agir de acordo com essa ética. . Como
exemplo, basta lembrar que até um passado bem recente, os automóveis
saíam com defeitos e somente aqueles que procuravam as concessionárias
para denunciá-los eram atendidos. Hoje os fabricantes são os primeiros
a anunciar falhas nos seus carros, fazendo recalls até mesmo de veículos
recém-lançados, se necessário for. Porquê?
Porque é muito mais caro limpar a mancha de uma reputação do que mantê-la
ilibada. Sua empresa estimula os vendedores a exagerar nas "qualidades"
do produto? Promete entregar o que notoriamente não tem condições de
produzir? Cuidado, o código de defesa do consumidor é uma realidade e
existem inúmeras jurisprudências definindo os limites legais da ação
das empresas. 3º.
caso: comportamento não ético/legal: - Dissemos
acima que a propina é antiética e ilegal. Pergunto: Quando uma empresa
farmacêutica convida um médico e sua família para participar de um
congresso no exterior, custeando todas as despesas do "doutor"
e garantindo-lhe luxos e mordomias que nada têm a ver com a melhoria da
qualidade da medicina praticada por aquele profissional ela está agindo
de forma ilegal? Não. Está sendo ética? Do meu ponto de vista não,
uma vez que está se beneficiando de um poder financeiro que a maioria
de suas concorrentes não tem. Concordo que a questão é polêmica,
pois será que devemos nos ver impedidos de fazer alguma coisa porque
nosso concorrente não teria condições de também fazê-la? Minha
opinião está expressa algumas linhas acima, mas você, o que acha? . Todos
sabemos que, pela "lei
da cadeia",
estupro não tem perdão e alcagüete tem que morrer. Lá dentro ninguém
discorda dessa lei, pois fazê-lo significa ser condenado à morte (ou,
no mínimo, espancamento).
Alguns políticos e até membros do judiciário defendem o "direito"
do MST em invadir terras classificadas por ele mesmo como improdutivas.
Nunca vi o Governo Federal descontar os dias parados de seus funcionários
grevistas, embora a lei determine que isso seja feito. Nosso querido
Betinho aceitou dinheiro da contravenção e justificou seu ato dizendo
que isso era melhor do que deixar mais um miserável passar fome. Muitas
empresas estimulam a competição e o conflito entre suas equipes de
vendas, dão tratamento discriminatório a clientes de mesma
categoria, estimulam seus vendedores a prometer o que não vão poder
cumprir, fazem o jogo do "esperto"
e praticam o tempo todo a "lei
de Gerson". Embora se digam éticas, se comportam de forma
absolutamente individualista. Além disso, criam suas próprias leis,
impondo-as sem discutir ou negociar. Conclusão:
- Para as
empresas que adotam o primeiro comportamento que descrevi práticas
anti-éticas e ilegais há pouco esperança de sobrevivência. Para
ficar no exemplo citado, empresas que só vendem porque dão "bola"
para seus clientes não obtêm o respeito de seus concorrentes, de seus
funcionários e dos demais clientes. É
mudar ou morrer logo.
As que adotam o
segundo comportamento práticas consideradas éticas, mas ilegais vivem
no fio da navalha. Não são acusadas pelos "tribunais"
da ética (conselhos
profissionais, órgãos de classe),
mas gastam o pouco lucro que geram pagando advogados para defendê-las
de clientes mais esclarecidos quanto a seus direitos. Para elas a questão
é se vale a pena correr o risco algumas acham que sim, pelo simples
prazer da aventura. . Lembremo-nos
que os tributos que pagamos não retornam em termos de produtos e serviços
e isso nos faz pensar que são injustos. Mas o Governo não pensa assim
e, se descobrir que você é um sonegador, vai tentar te levar para as
barras do tribunal. No terceiro grupo ações antiéticas, mas
legais há um farto espaço para o que chamo de picaretagem legalizada.
Não estou, com isso, dizendo que os laboratórios farmacêuticos sejam
todos picaretas (alguns
são, é verdade).
Mas, para ficar no exemplo, foram eles que popularizaram a expressão BO
(bom
para otário). . Porém,
na minha opinião, é no quarto grupo que "mora
o perigo"
pois, embora haja empresas que são transparentes e cumpridoras da lei,
há as obscuras e que criam suas próprias leis. Incluem-se aí desde os
taxistas que roubam seus clientes, dando voltas desnecessárias pela
cidade mas o fazem para "defender
o leite das crianças lá em casa"
até as Encol
da vida, que deixaram um enorme número de "sem
teto" e
com dívida por aí. Essas são as empresas que querem "levar
vantagem em tudo",
que só negociam usando táticas sujas, que tripudiam da inteligência
do cliente, que riem da honra e que, infelizmente, conseguem nossa
complacência e por isso se mantêm vivas por muito tempo... |
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. . O instituto MVC e sua equipe poderiam ajudar neste tema? Pense nisso... .
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