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Uma
pergunta que comumente ouço nos meus seminários e aulas são se os
vendedores podem ter durante todo o tempo um comportamento ético nas
negociações comerciais. Considero essa questão extremamente
relevante e gostaria de dividir com você, leitor, algumas reflexões.
Como sabemos, a ética é o estudo dos costumes moralmente
considerados certos e errados. Para começar nossa reflexão, tomemos
como premissas básicas três questões:
Nós
nos deparamos com dilemas morais todos os dias. Isso é tão
verdadeiro para o vendedor como para qualquer outro profissional;
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Há
evidências de que os vendedores querem orientações de seus gerentes
para ajudá-los a lidar com problemas éticos;
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Também
é importante compreender que a maioria dos vendedores escolhe o curso
de ação ético, quando o descobre.
Embora
todo profissional esteja submetido a constantes dilemas morais, não
parece haverem dúvidas que o dia-a-dia de um vendedor inclui várias
situações nas quais é possível ser antiético:
A
necessidade de atrair a atenção e conquistar a preferência do
cliente cria a tentação de se distorcer fatos ou omitir informações
relevantes. Mentiras cabais que distorçam fatos são claramente antiéticas,
além de ilegais;
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Enfrentar
uma concorrência acirrada e, às vezes, mais desenvolvida
tecnologicamente, leva alguns vendedores a exagerar nas vantagens da
sua oferta. Isso também pode ser antiético se a crença nesses
exageros resultar em prejuízo para o cliente;
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A
ênfase excessiva nas vantagens do nosso produto sobre os demais
concorrentes provavelmente não é antiética, uma vez que representa
opiniões do vendedor - e os clientes esperam que o vendedor defenda
sua empresa "com unhas e dentes";
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O
processo de persuasão em si, embora possa envolver manipulação,
provavelmente não é antiético, uma vez que tanto o cliente como o
vendedor compreende e espera que ocorra manipulação;
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A
prospecção pode ser antiética se, deliberadamente, o vendedor tomar
clientes de um colega, mas, em alguns casos, não é antiético um
vendedor levar clientes consigo ao se mudar para outra empresa;
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O
uso de informações pessoais sobre um cliente para forçá-lo a
comprar é antiético;
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A
apresentação de informações falsas ou inexatas é objetivamente
antiética;
O
comportamento antiético também pode ocorrer fora do processo de
vendas em si, e inclui coisas como espionar um concorrente,
sabotar os mostruários de produtos do concorrente, trabalhar em um
segundo emprego no tempo pago por outro empregador ou abusar dos benefícios
de viagens e diversões.
A
dificuldade em ser ético em vendas é justamente discernir sobre o
que é certo e errado. Se considerarmos estas posições como os
extremos de um continuum, observaremos que existem diversas posições
que não ficam claras não podem, a priori, serem consideradas certas
ou erradas.
Uma regra de grande validade nestes casos é posicionar-se no
lugar da pessoa que estará sendo afetada por seu ato. Quer seja um
empregador, um colega, um concorrente ou um cliente, é preciso
observar a questão sob o ponto de vista do outro. Tentemos ilustrar
melhor essa idéia através do exemplo de uma situação que quase
invariavelmente ocorre nas negociações comerciais. Trata-se de duas
alegações clássicas que são feitas pelo vendedor:
1.
alegação: - esse é o menor preço pelo qual podemos vender esse
produto;
2.
alegação: - você não encontrará nada melhor (ou mais barato) no
mercado.
E
duas alegações clássicas que são feitas pelo comprador:
1.
alegação: - esse preço supera nossa percepção quanto ao valor de
sua oferta;
2.
alegação: - já pesquisei e encontrei outras ofertas melhores do que
a sua.
Sabemos
que, na maioria dos casos, ambos estão mentindo. E moralmente falando,
a mentira é condenável. Podemos dizer que ambos estão sendo antiéticos?
Como as partes aceitam com naturalidade que o comportamento durante as
negociações comerciais se paute por uma espécie de "jogo
de esconde-esconde",
não há como censurar quem faz as alegações acima. Pessoalmente penso
que a melhor estratégia para convencer um cliente a comprar nosso
produto é mostrar como o mesmo pode agregar valor a quem o
compra.
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Outra
regra básica para procuro seguir e ensinar é que o valor das coisas não
está nelas mesmas, mas sim na sua adequação a uma determinada
necessidade (pense
num par de óculos, que permite que o míope enxergue, mas que se for
usado por alguém que não tenha problemas de visão vai fazer com que
tudo fique "embaçado").
A reflexão final que propomos neste artigo pode ser sintetizada
na opinião de Soldow
& Thomas,
importantes autores de livros sobre vendas: "embora o comportamento
antiético possa levar a vendas imediatas, isso só acontece em curto
prazo. Com o tempo, pessoas que costumeiramente comporta-se de maneira
antiética vêem sua reputação sofrer as conseqüências. Por
outro lado, pessoas que costumeiramente comportam-se de acordo com os
mais elevados padrões éticos vêem suas reputações subirem. Uma
reputação favorável fará mais pela criação de vendas e sucesso
duradouro do que qualquer comportamento antiético".
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