Sistema de Representação para Representantes Comerciais

BIBLIOTECA EXCLUSIVA DO PROFESSOR

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NEGOCIANDO COM ESTILO

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.SR. PROF. JOÃO BAPTISTA VILHENA

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...VICE-PRESIDENTE 

GRUPO MVC / COSTACURTA & ASSOCIADOS.

coordenador do MBA em Gestão Comercial

da:  FGV - FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS

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Desde tempos imemoriais o ser humano vem tentando descobrir meios e métodos que lhe permitam entender seu comportamento e o de seus semelhantes. Na Caldéia, na cultura asteca e na antiga China, verificamos sistemas astrológicos que pretendiam "prever" o comportamento das pessoas. Passam os séculos, mas a curiosidade continua. Chegamos ao século XXI e somos cada vez mais cobrados quanto à nossa rapidez e criatividade na solução de problemas, mas, ainda, nos conhecemos muito pouco.
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É claro que muitas teorias foram formuladas sobre o comportamento humano. Mas uma questão permanece: "
a resolução dos conflitos e impasses criados nas relações entre pessoas depende, em alto grau, do quão previsível será o comportamento da outra parte". Os economistas, por exemplo, desde a década de 30 do século passado tentam encontrar modelos matemáticos que permitam antecipar os movimentos dos consumidores. Von Newmann tornou-se mundialmente famoso por duas razões:

sua contribuição ao projeto Mannhattan (desenvolvimento das duas bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki) e sua contribuição à teoria dos jogos, uma formulação matemática que pretendia ser capaz de prever antecipadamente o comportamento das pessoas em um mercado de consumo.

Se sairmos de um campo amplo como a economia e passarmos a analisar uma atividade eminentemente prática, verificaremos que, nas negociações, a possibilidade de antever como a outra parte reagirá a uma proposta pode ser um diferencial que fará com que o processo se resolva mais rápida ou lentamente e com maior ou menor efetividade. Mesmo pretendendo defender a idéia que identificar o estilo de negociação da outra parte permite abreviar a obtenção do acordo e permitir o menor desgaste entre os negociadores, é inegável que nem todos estão imbuídos de boas intenções ao tentarem prever como a outra parte se comportará. O objetivo deste artigo é analisar quatro razões básicas que levam os negociadores competentes a tentar antever como a outra parte se comportará:

prever para neutralizar,  prever para apoiar,  prever para discutir,  prever para manipular

Defendemos o uso dos estilos de negociação durante os processos de obtenção de acordos sobre temas conflituosos, mas não podemos prosseguir sem fazer duas ressalvas importantes:

A análise dos estilos de negociação baseia-se qualquer que seja o modelo nos estudos de personalidade. Esse é um campo complexo, no qual mesmo os mais experientes profissionais freqüentemente cometem erros de avaliação e julgamento; 
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Há pessoas que conseguem sublimar/dissimular seu verdadeiro estilo por bastante tempo, na esperança de conquistar simpatia, confiança ou aceitação (vários filmes famosos mostram crianças judias fingindo pertencer à juventude hitlerista para fugir dos horrores do nazismo); 
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Essas pessoas partem da premissa nem sempre equivocada que determinado comportamento irá provocar na outra parte uma atitude mais positiva (ou menos restritiva) durante a negociação.
 

Resta, ainda, lembrar que várias são as classificações de estilo. A maioria delas tem origem no modelo jungiano dos oponentes estilísticos. Independente da forma que se combine os 4 estilos primários propostos por C. G. Jung com seus oponentes, o que se procura no que concerne à negociação é buscar táticas e métodos eficazes de lidar com a outra parte. 

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Na verdade, trata-se de tentar tornar previsível o comportamento do outro, através do uso de determinados estímulos. Embora possa se perceber um certo ranço behaviorista nessa tentativa, o simples esforço de entender o outro já leva a um nível diferenciado de empatia, uma vez que, para tentar prever ações e reações da outra parte, é preciso aprender a pensar como o outro pensa

(nos treinamentos que conduzimos aqui no "Instituto MVC  M. Vianna Costacurta Estratégia e Humanismo" utilizamos um modelo próprio de identificação de estilo baseado no "LIFO - Life Orientations", a partir da consultoria americana INTERGRO. De posse dessa ferramenta nossos treinandos podem se conhecer melhor e também à outra parte e, a partir daí, buscar aumentar seu grau de flexibilidade como negociadores).

Dando prosseguimento à nossa idéia original, lembremo-nos que há pelo menos 4 razões para que o negociador se preocupe em entender o estilo da outra parte:

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a) Prever para neutralizar: - Ao tentar prever o que a outra parte fará visando neutralizá-la, o negociador assume o comportamento ardiloso, bem a feição daquilo que Jung classificaria como um impulso para a desconsideração (ou impulso para rebaixar os outros) e para a deferência (impulso para deixar outros assumirem o comando).

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Segundo Sparks, estudioso do tema o estilo ardiloso "parte da suposição que os negociadores devem ser evitados ou mantidos à distância, pois representam uma fonte de aborrecimentos". O autor complementa essa idéia dizendo que a premissa básica deste estilo assume que "é inútil tentar negociar no nível pessoal; é melhor concentrar-se nos procedimentos e regras". 

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Em suma, o negociador desse estilo procura antecipar o que o outro fará, para preparar formas de neutralizá-lo no "tapetão", já que acredita que negociar não adianta (se você já foi "by passado" por um colega ou concorrente ardiloso, não terá grande dificuldade de compreender esse estilo).
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b) Prever para apoiar: - Já aqueles que tentam prever o comportamento da outra parte para apoiá-lo, apresentam um estilo do tipo amigável, segundo o modelo jungiano. O amigável também possui acentuado impulso para a deferência, combinado com o impulso para a confiança (desejo de incluir os outros como parceiros no trabalho, por acreditar que a colaboração é a melhor forma de se realizar uma tarefa). O negociador amigável costuma ser simpático e cooperativo. Mesmo nas questões que envolvem competição, o amigável tenta preservar o relacionamento com a outra parte, evitando usar "táticas sujas"..

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c) Prever para discutir: - Os negociadores preocupados em prever o comportamento da outra parte para discuti-lo são, segundo Jung, classificáveis como confrontadores. Dotados de impulso para a confiança (já descrito anteriormente) têm, simultaneamente, forte orientação para o controle necessidade de dominar e governar os outros; crença na justiça da rivalidade direta e desenfreada. O confrontador combina confiança e controle na suposição que a eqüidade deve, sempre, ser buscada. De forma dialética, contesta as proposições da outra parte, buscando chegar a uma síntese que se transforme num acordo aceitável para ambos. Acredita que, se houver uma opção aceitável para as partes, o objetivo do acordo terá sido atingido..

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d) Prever para manipular? - Já os negociadores que buscam prever o comportamento da outra parte para manipulá-la são classificáveis, segundo Jung, como restritivos. Seus dois principais drives são o controle e a desconsideração. Acreditam que os acordos nas negociações só são obtidos se uma das partes tiver o poder de impor suas condições à outra. É por isso que não são cooperativos e agem sempre em função, apenas, de seus próprios interesses. O único resultado que consideram aceitável em uma negociação é a incondicional derrota da outra parte..

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Ao ler essas 4 descrições básicas, tendemos a nos identificar com uma delas e achar que "
é assim que somos". O sentimento seguinte é rejeitar o estilo que está no extremo oposto ao nosso. Contudo, é importante pensar que, dependendo da situação, todas as 4 tipologias têm sua importância e exigem conhecimento e preparo para lidar com elas..

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Você pode afirmar com convicção que sabe, exatamente, como se comportaria em cada situação potencialmente conflituosa que se estabelece com freqüência nas negociações?

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O instituto MVC e sua equipe poderiam ajudar neste tema? Pense nisso...

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