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Vamos
analisar juntos as seguintes situações:
você
vai ao médico e descobre que precisa fazer uma cirurgia
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você
pega um vôo do Rio de Janeiro para Brasília
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você
é aluno de um curso de pós-graduação
Na
primeira situação, sem sombra de dúvidas você quererá discutir com
o médico a real necessidade da cirurgia, vai discutir o preço que será
cobrado, vai querer saber se seu convênio cobre parte ou a totalidade
das despesas, vai querer saber se o hospital que o médico opera oferece
quarto particular e tudo o mais que diz respeito a suas compreensíveis
preocupações enquanto cliente.
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No segundo exemplo, você terá escolhido a companhia em que
efetuará o vôo, vai verificar se o pessoal de bordo está sendo cortês
e eficiente, vai eventualmente verificar se o banheiro está limpo,
exercendo seu sagrado direito de, como cliente,
criticar ou elogiar tudo o que acontecer durante o vôo.
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No terceiro caso, você provavelmente terá escolhido uma
instituição de primeira linha, terá discutido o custo
X benefício
do investimento, avaliará a qualidade dos recursos utilizados pelos
professores, vai verificar se as instalações são confortáveis e se o
ar condicionado está funcionando. Enfim, enquanto cliente
você quererá que tudo o que possa facilitar o seu processo de
aprendizado esteja disponível para que sua opção por aquela instituição
se mostre acertada.
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Acho que não há dúvidas que, em cada uma das situações
acima, nosso direito de cliente nos permite sugerir, criticar, propor,
reivindicar, reclamar, elogiar. Mas eu gostaria de perguntar o seguinte:
você
pode exigir que o médico adote na cirurgia um procedimento de sua
preferência (laparoscopia ao invés de uma técnica mais invasiva,
por exemplo)?
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você
pode exigir que o piloto siga uma determinada rota de sua preferência?
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você
pode exigir que o professor aborde determinado tema de forma a que as
conclusões a que se chegue sirvam apenas para confirmar sua opinião
sobre o assunto?
Como
você pode ver, a liberdade dos clientes
necessariamente está limitada a sua competência em avaliar o que está
sendo proposto e aceitar ou não a oferta. Ao escolher um determinado
fornecedor, ele está reconhecendo neste a competência de complementar
lacunas que não seria capaz de preencher sozinho. Enquanto
gestores
de marketing
precisamos ter em mente que o cliente
não pode ser transformado no "grande
ditador",
que determina o que devemos fazer e pronto.
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É
preciso fazer valer a nossa expertise e explicar ao cliente
que, se ele nos escolheu, é porque acredita que somos os mais
competentes para determinar o melhor procedimento cirúrgico, a melhor
rota, ou a melhor abordagem e metodologia para uma aula. Minha
experiência como consultor
tem me levado a crer que, principalmente no caso das empresas e
profissionais autônomos prestadoras de serviços profissionais, ainda
se acredita na balela
que diz que: - "o
cliente tem sempre razão".
Essas
empresas e profissionais me fazem lembrar a velha fábula infantil do
velho, do menino e do burro:
Como
vocês se lembram, a estória diz que por um caminho vinha um velho,
puxando pelo cabresto um burrinho com um menino na garupa. Ao passar
por um grupo de pessoas, o velho ouve o comentário: "que absurdo
um velho andando a pé e um menino jovem e forte montado no
burrico". Refletindo a respeito, o velho chega a conclusão que
ele é que deveria seguir montado. O menino é apeado, o velho monta e
a viagem prossegue. Mais à frente o velho ouve outro comentário de
um grupo de passantes: "que absurdo, um adulto andando montado e
o pobre menino a pé. O certo é que os dois montassem, pois o burrico
tem força para levar a ambos". O velho novamente pensa a
respeito e chega a conclusão que era isso mesmo, e convida o menino
para subir na garupa. Mais a frente um outro grupo comenta: "que
absurdo, lá vai o pobre burrico arcado pelo peso desses dois preguiçosos,
eles é que deviam carregar o pobre animal nas costas". Mais uma
vez o velho aquiesceu e a estória termina com os dois o velho e o
menino chegando a sua casa carregando o burrico.
Deixar
o cliente
tornar-se ditador
é acabar subvertendo completamente a ordem das coisas. Temos que ter em
mente que o cliente
é nosso parceiro e aliado
numa permanente relação de aprendizado que temos que estabelecer com o
mercado. Isso é indiscutível.
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Mas
também não podemos esquecer que foi por nos reconhecer como especialistas
num determinado assunto que o cliente
optou pela nossa oferta. Logo não podemos deixar que o seu
desconhecimento sobre questões específicas nos leve a prestar um serviço
pior. Se está em dúvidas quanto a isso, pense no seguinte:
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você
voaria numa companhia
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que
deixasse o cliente decidir a rota a ser seguida?
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