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Ao
abordarmos o tema remuneração, qualquer que seja, podemos,
primeiramente, indagar:
O
que é um salário justo?
Com
certeza, as opiniões sobre o tema irão variar em função da própria
subjetividade inerente a definição do conceito de justiça. Para
efeitos práticos, poderíamos considerar que salário justo é aquele
capaz de prover um indivíduo de suas necessidades. Este critério
aproxima a definição de salário justo da máxima socialista: "De
cada um de acordo com suas possibilidades, a cada um de acordo com suas
necessidades".
Mas se dois funcionários exercem a mesma função, é cabível que um
deles ganhe mais porque é casado e tem filhos e o outro é solteiro e
mora com os pais? Parece-nos que o segundo tenderá a não se sentir
satisfeito, ainda mais se o seu desempenho superar o do colega casado.
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Outra proposta envolve o nível de responsabilidade um salário,
para ser justo, deve ser adequado a este nível. Mas e se tentássemos
avaliar o trabalho de um enfermeiro ou de um instrumentador? Facilmente
perceberíamos que desempenham funções de altíssima responsabilidade.
Entretanto, é sabido que o nível de ganho desses profissionais não é
dos mais elevados. E como ficaria o caso de um pedreiro, cuja
responsabilidade pela qualidade de seu produto final notadamente em
termos de segurança do proprietário é grande, mas seu nível salarial
é baixo?
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Continuando no caminho das reflexões, aventemos que um salário
justo seja relativo ao nível de habilidades e conhecimentos de cada
pessoa. Mas uma pessoa mesmo com um nível alto de habilidades e
conhecimentos que não contribui efetivamente para o atingimento de
resultados expressivos deve ganhar mais do que aquela que se esforça e
supera suas limitações iniciais? Poderíamos, então, dizer que o salário
é justo quando guarda relação com os resultados obtidos. Mas e no
caso de um vendedor que consegue alto volume de vendas o que pode ser
considerado um resultado expressivo por meio de mentiras e promessas
infundadas? Ou seja, alcança resultados expressivos no curto prazo, mas
enfraquece ou até mesmo inviabiliza resultados no longo prazo.
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Realmente
discutir o que é salário justo é, no mínimo, complexo. Mas tentemos
particularizar a discussão para a questão da remuneração das equipes
de vendas. Nesse particular, uma discussão bastante freqüente é se a
remuneração desses profissionais deve ser fixa ou variável. Ambas as
formas apresentam vantagens e desvantagens para a empresa e para o
funcionário. O salário fixo fornece garantia de um ganho mínimo para
o vendedor, mesmo que ele atravesse um "mau
momento".
Para a empresa, permite um melhor gerenciamento financeiro, pois o salário
torna-se um custo fixo. O perigo está na acomodação do vendedor, que
por mais que se dedique não recebe qualquer reconhecimento financeiro
por seu esforço adicional. Por outro lado, o salário variável traz
benefícios aos vendedores e à empresa no que diz respeito à motivação.
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Mas apresenta uma certa complexidade na sua gestão caso não
seja entendido apenas como um percentual sobre as vendas e reduz a
segurança do vendedor, que terá dificuldades em assumir compromissos
financeiros de mais longo prazo. Face a este imbróglio,
perguntamos:
qual
a melhor opção?
Quem
pode nos ajudar na resposta é a própria Constituição Federal de
1988, que estabelece a possibilidade da participação dos trabalhadores
nos lucros e/ou nos resultados. Entretanto, existe uma grande diferença
entre a participação nos lucros e a participação nos resultados. O
lucro é uma medida contábil, resultado da diferença entre receita e
despesa e pode ser manipulado. A participação nos resultados, por sua
vez, é estabelecida a partir de indicadores definidos pela própria
empresa, que podem ser dos mais variados.
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Obviamente,
no caso da área de vendas, os mais importantes referem-se a volume
comercializado e satisfação dos clientes, mas é a empresa quem deve
definir quais os indicadores mais importantes para cada um destes
aspectos. Peguemos por exemplo a questão da satisfação dos clientes.
É possível mensurá-la com precisão? Evidentemente que não. Mas
existem alguns indicadores que auxiliam os administradores a avaliá-la
recompra, taxa de reclamações, número de devoluções, entre outros.
A partir destes indicadores é que as empresas devem avaliar e, conseqüentemente,
remunerar seus vendedores.
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Mas a escolha sobre que indicadores utilizar é uma decisão
estratégica, pois é preciso adequá-los aos seus objetivos
corporativos, ao seu posicionamento, às características de seu produto
ou serviço, às características de seu mercado-alvo. Por exemplo, para
um produto ou serviço que impõe ao cliente um alto custo de mudança
um plano de saúde, p.ex., exige prazos de carência, a recompra ou a
taxa de manutenção dos clientes deveria ter menor peso do que para
aquele de baixo custo de mudança. Da mesma forma, as opções
pertinentes à estratégia empresarial e as características do
mercado-alvo implicarão na determinação de indicadores adequados à
sua realidade.
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Outro aspecto que deve ser analisado é a relação entre a
oferta da empresa e a demanda de mercado. Caso a oferta seja inferior à
demanda, a venda é praticamente garantida; seus vendedores não
precisam envidar grandes esforços para atender o mercado. Neste caso, a
política de salários variáveis é menos relevante. Na situação
contrária oferta superior à demanda o esforço dos vendedores em
conseguir vendas marginais deve ser recompensado.
Aliás voltando a questão inicial na nossa opinião é a relação
entre oferta e demanda que determina o que é um salário justo. O salário
justo é aquele que equilibra a oferta e a demanda no mercado de
trabalho por determinado cargo ou função. Por exemplo, se existem
muitos motoristas de ônibus no mercado, as empresas de transporte
rodoviário tenderão a forçar os salários para baixo, pagando menos
aos motoristas. Se, ao contrário, o número de motoristas for pequeno,
a empresa terá que remunerá-los a "preço
de ouro".
Isto vale para qualquer cargo ou função.
Com
os vendedores a realidade é a mesma. No entanto, para determinar
adequadamente o nível salarial de seus vendedores, não devemos nos
esquecer de avaliar aspectos como os indicadores adequados de desempenho
e a relação entre oferta e demanda do produto no mercado.
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