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No
primeiro Insight deste ano gostaria de discutir com você, como será
o ano de 2004 para a área de RH das empresas. Não vou me basear em
estudos econômicos ou nas opiniões de consultores e assessores de
empresas particulares ou do governo. Apenas me inspirarei em um cenário
desenvolvido por conhecida consultoria americana, recentemente
publicado nos EUA e aqui no Brasil.
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Pensemos,
juntos, no seguinte: - Como será o mercado de trabalho?
Nos
últimos 15 anos, vivemos uma tremenda agitação, provocada pelos
sucessivos programas de downsizing e reengenharia. Esse período
parece estar esgotado. Quem dançou, dançou. Desempregados, "pedevizados",
"ensopados"
e outras categorias análogas tiveram que se virar para continuar
garantindo o pão de cada dia. Uns compraram vans e viraram
perueiros ou dogueiros. Outros se aposentaram definitivamente. Há
aqueles que criaram coragem e partiram para uma carreira solo,
realizando o sonho de se tornar dono de uma pousada ou passando a
carregar na carteira o cartão de "consultor".
Aqueles
que sobreviveram com um sobrenome institucional começam a perceber
que se estão empregados, até agora, é porque são importantes para
suas organizações. Essas pessoas provavelmente começarão a
estimular uma grande agitação no mercado de trabalho.
Sobrecarregadas de serviço, cansadas, desmotivadas e descrentes,
passarão a ameaçar a estabilidade corporativa e a capacidade de
servir os clientes, uma vez que cobrarão da empresa a justa
recompensa por todo o sacrifício que vêm fazendo até aqui. As
empresas que ainda não estão investindo na re-qualificação
profissional, pessoal e espiritual
desses funcionários pagarão um elevado preço por sua inércia.
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O
número de empregos vai aumentar ou diminuir?
- Todos sabemos que no mercado não faltam apenas empregos. Faltam,
também, empregados
qualificados.
Se a economia mundial e a brasileira continuarem a crescer em 2004,
talvez venhamos a enfrentar uma
das mais graves crises de falta de mão-de-obra qualificada dos últimos
tempos. As
empresas serão obrigadas a se tornar mais agressivas para atrair e
reter os mais talentosos. Os melhores e mais qualificados poderão
escolher onde trabalhar, trocando de emprego até encontrar o
empregador que realmente lhes satisfaça. O que será feito para reter
os imprescindíveis?
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Como
ficarão os aposentados?
- O conceito de aposentadoria se transformará radicalmente. Os
aposentados buscarão novas e criativas formas de continuar produzindo
e gerando renda. Uns abrirão seus próprios negócios, outros vão
vender sua expertise
para os mais novos ou para empresas menos experientes e sem recursos
para contratar os profissionais "da
crista da onda".
Vários vão começar a se dedicar a atividades de treinamento,
multiplicando seus conhecimentos através de instituições como o
SEBRAE, o SENAC e outras de mesmo gênero. Será que essas pessoas que
hoje são consideradas "velhas"
por terem mais de 45 anos não são uma importante reserva estratégica
de mão-de-obra?
O que as organizações estão oferecendo para que elas permaneçam
onde estão?
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Quais
serão os treinamentos mais procurados?
Programas de treinamento de curta duração serão fortemente
demandados, desde que se mostrem capazes de propiciar a operacionalização
imediata dos conceitos apresentados em sala de aula. Haverá uma redução
da demanda por programas de educação continuada do tipo MBAs,
especializações e pós-graduações. O que vai crescer é a demanda
por educação profissionalizante. Por mais capazes que os educadores
sejam na discussão de teorias, é o instrutor pragmático que já
vivenciou na prática aquilo que está sendo ensinado quem vai se
destacar esse ano. Não adianta ter uma equipe com mais de 50%
de MBAs, mestres
e doutores e ver o balanço se tingindo
de vermelho.
As empresas querem treinar seus funcionários em métodos e técnicas
capazes de produzir resultados imediatos neste mundo de mudanças cada
vez mais rápidas. Seu plano anual de treinamento está sintonizado
com essa questão?
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Como
será o exercício da liderança em 2004?
- Liderança cidadã será o paradigma dos gestores de seres humanos.
Não adianta gerar, apenas, "Vitórias
de Pirro".
Será preciso pensar na qualidade de vida da equipe, na
responsabilidade social da empresa, na ética e na transparência.
Qual o tipo de líderes estamos formando em nossas empresas?
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E
os empregos formais, como ficarão?
- Cada vez mais pessoas compreenderão que a carteira assinada está
condenada a se tornar peça de museu. Emprego flexível e temporário
é o novo nome do jogo. Tecnologia da informação, mudanças na
legislação trabalhista, maior busca por qualidade de vida, menos
recursos para investir em pessoal. Tudo isso junto fará com que
principalmente os jovens compreendam que não podem mais viver a síndrome
do Belchior ("ainda
somos os mesmos e vivemos como nossos pais").
Será preciso repensar um novo modelo de relações trabalhistas,
novas formas de treinamento e desenvolvimento, novos sistemas de
remuneração. Tudo vai virar de cabeça para baixo muito rapidamente.
Você já está se preparando para essa nova realidade?
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O
que vai ser realmente importante? - Valorizaremos
cada vez mais a simplicidade e a informalidade. Não se trata de
instituir "casual
days"
ou outras liberalidades do gênero. Competências que serão altamente
apreciadas pelos contratadores de mão-de-obra:
- "fazer
direito, acertar da primeira vez, ser mais produtivo e gerar menos
re-trabalho. Keep it short and simple (Kiss)
será uma expressão cada vez mais ouvida nos corredores das organizações.
Como seus colaboradores estão sendo preparados para enfrentar esse
mundo tão diferente do atual?
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Quais
serão os grandes paradoxos do ano de 2004?
- Equilíbrio entre razão e intuição. Valorização tanto do
financeiro quanto do social. Agilidade com leveza e graça. Esses
paradoxos terão que ser, cada vez mais, enfrentados. O porte da
organização não será o principal fator de sucesso no mercado. Sua
agilidade, pró-atividade e destreza para perceber oportunidades de
diferenciação é que levarão ao sucesso.
Gostaríamos
muito de saber o que você pensa sobre essas e outras questões. Só
saberemos realmente como as coisas se comportaram em 2005 no dia
01 de janeiro de 2006, mas não custa tentar antecipar algumas
tendências.
O
que você tem a nos dizer a respeito?
O
que pretende fazer a respeito? Como? Com a ajuda de quem?
Esse
é o seu "Homework" para 2004. Boa sorte e muita
competência!!!
Material
retirado dos programas de consultoria e treinamento em estratégia de
RH.
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