O
caráter espasmódico/emergencial das atividades de treinamento
gerencial tem contribuído em muito para seu descrédito, ineficiência
e desvinculação do negócio. A retomada do crescimento, no Brasil,
está demandando processos educacionais com horizontes mais longos,
cada vez mais relacionados ao negócio (com
resultados mensuráveis)
e uma dose cada vez maior de participação da diretoria e escalões
superiores (agora
a nível de consultores internos e não de simples
"patrocinadores").
.
O intuito desse artigo é o de listar cuidados de natureza
estratégica e operacional quando do desenvolvimento de programas de
educação permanente; propositadamente deixamos de separar o estratégico
do operacional pois, a nosso ver, esta dicotomia pode levar à visão
errônea de que o primeiro compete apenas à diretoria, o que nem
sempre encontra respaldo na realidade em termos de gestão
participativa.
.
EXEMPLO:
- Não existe
desenvolvimento gerencial sem exemplo. Se o presidente e os
Diretores embarcam prioritariamente na "canoa",
os demais tendem a seguí-los. Embarcar na canoa significa não só
participar do programa como "alunos",
mas também como consultores internos, aliando o conhecimento do negócio
ao saber relativo à funções e instrumentos gerenciais.
.
VISÃO: - O
que aqui chamamos de visão nada mais é do que a busca de um perfil
gerencial necessário para consecução dos objetivos que a empresa
deseja atingir nos próximos anos. A definição dessa visão (e
por conseqüência, desse perfil)
dentro de um esquema de co-participação de áreas meio a fim, é
estratégia fundamental para sua aceitação e implementação. Vale
aqui lembrar que, neste processo, a área de RH deve atuar mais como
canalizadora das várias correntes do que como formadora de opiniões.
.
PERSPECTIVA: - O
engajamento num programa de educação permanente implica no
conhecimento, por todos das etapas do processo, antes de seu início;
a perspectiva de longo prazo é fundamental para a credibilidade e
esforço.
.
PROFUNDIDADE: -
Estamos falando
de processos de mudança e não da simples participação em cursos
e seminários; isto quer dizer que cada tema deve ser abordado com a
maior profundidade possível, antes do início de um outro assunto.
É a estratégia da profundidade predominante sobre a diversificação.
.
MENSURAÇÃO: -
Nenhum programa
de longo prazo sobreviverá se não trouxer resultados quantificáveis;
para mudar é preciso que eu saiba como e quanto estou mudando. A
mudança se alimenta de mudança. A mensuração de resultados
implica no estabelecimento, antes do início de cada programa, de
dois tipos de metas:
Metas
de Processo - se a tecnologia foi bem recebida, se foi aprendida e
se foi utilizada pelo participante.
.
Metas
de Produto - quanto a organização lucrou com o atingimento das
metas de processo;
.
se
houve aumento de receita, diminuição de despesas, criação de
novo produtos/serviços, etc.
.
Ambas
as metas - processo e produto - devem ser medidas através de
indicadores qualitativos e quantitativos previamente estabelecidos.
A idéia é só fazer o que puder ser medido.
TREINAMENTO
/ CONSULTORIA: - A
educação permanente deve utilizar de forma integrada as duas
abordagens. A primeiro para início da mudança e como um enfoque de
massa; a consultoria, do meio para o fim, como uma forma de
demonstrar, de maneira mais individualizada, no que o negócio pode
ser beneficiado pela tecnologia que está sendo colocada.
.
MULTIPLICAÇÃO /
ESCALA: - É
evidente que o custo de um programa longo e permanente muitas vezes
inviabiliza o atingimento de todos os níveis de chefia. Aí entra a
responsabilidade de quem participou mais diretamente, na transmissão
do que viu, para seus subordinados. Esta regra do jogo deve ficar
clara antes do jogo começar. Cada executivo / gerente é um
multiplicador em potencial e caberá a ele, com a ajuda da unidade de
RH, assumir o papel de consultor / instrutor de seus subordinados.
.
COBRANÇA: - Um
programa de educação permanente implica na adoção de uma estratégia
de cobrança permanente, em todos os sentidos. Os superiores definindo
antes, durante e depois de cada programa a cada subordinado; estes
cobrando das respectivas chefias a ajuda necessária para atingimento
daquelas expectativas. É algo para o dia-a-dia e sempre.
.
CLIENTE: - Não
se pode falar em desenvolvimento a longo prazo sem o envolvimento do
cliente externo. Se esse cliente é a razão de ser do negócio como
então deixá-lo de fora de qualquer processo de mudança? A
operacionalização dessa idéia passa pelo conceito de parceria;
comunhão de informações, podendo servir até para objetivos
mercadológicos.
.
CUMPLICIDADE: - Como
quase todos programas de educação permanente implicam no
envolvimento de uma consultoria, a relação de cumplicidade entre
esta e o cliente é fundamental. Entenda-se por cumplicidade um
investimento grande de, ambas as partes, no conhecimento dos aspectos
de negócio que interferem no programa; o mesmo que aplica em relação
ao conhecimento das pessoas que participam do programa. Os maiores êxitos
em programas gerenciais acontecem quando o representante do cliente
investe até 50% do seu tempo no estabelecimento dessa cumplicidade e
quando o consultor sai de sua posição de alguém "não
envolvido"
para fazer parte do time da empresa.
.
UMA
PALAVRA FINAL
É
evidente que não pretendemos esgotar o assunto educação,
permanente com um artigo tão curto. Nosso intuito principal é chamar
a atenção de quem dirige nossas organizações sobre os novos rumos
do treinamento para os próximos anos que quase sempre passarão pela
educação permanente e os erros a evitar nesta área já tão
complicada.