JUST-IN-TIME
= JUSTO A TEMPO
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O termo
Just-in-time
entrou no vocabulário da gestão na década de 80 e, hoje, já são poucos os gestores que não ouviram falar deste método de gerir as existências. Mas o que poucos responsáveis conhecem verdadeiramente são as condições de implementação deste sistema na empresa.
É que o Just-in-time é muito mais do que uma técnica de
controlE ou um sistema para gerir e reduzir ao mínimo os ESTOQUES. Alguns autores consideram mesmo o
Just-in-time
como uma filosofia industrial global.
Em termos muito simples, trata-se de um método que visa eliminar todas as fontes de desperdício, eliminar tudo o que não acrescenta valor à empresa. Conseguir ter um volume de
estoques zero é talvez o efeito mais visível mas não é o único.
Convêm, assim, começar por indicar que só se pode implementar com sucesso uma filosofia
Just-in-time
na empresa se forem resolvidos os problemas seguintes:
-
Lay-outs pouco
eficazes.
-
Fornecedores pouco fiáveis.
-
Avarias frequentes das máquinas.
-
Problemas de
qualidade.
-
Mudanças de série longas.
Frequentemente, o
JIT
- JUST IN TIME é associado a um princípio de organização destinado à grande indústria, que só faz sentido em grandes unidades de produção. Mas esta técnica de gestão nada tem a ver com séries de produção repetitivas nem longas, mas sim com prazos reduzidos e com produção de pequenas
quantidades. Assim, esta é uma técnica de gestão perfeitamente adaptável às
pequenas e médias empresas industriais.
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Princípio do Just-in-time: - O
JIT
aplica-se tradicionalmente a empresas industriais, que transformam matérias-primas em componentes, agrupados depois em subconjuntos e finalmente num ou em vários produtos finais. Assim, o princípio do
JIT
pode resumir-se numa regra essencial, dividida em quatro fases distintas mas semelhantes:
é necessário produzir e disponibilizar:
-
Os produtos acabados no momento
exato em que se tornam necessários para a venda.
-
Os subconjuntos no momento
exato em que são necessários para a montagem dos produtos finais.
-
Os componentes no momento
exato em são precisos para a montagem dos subconjuntos.
-
As matérias-primas no momento
exato em que vão ser utilizados para a fabricação dos componentes.
As doze regras do Just-in-time: - Para conseguir implementar com sucesso esta técnica de gestão na empresa, é importante respeitar algumas regras básicas mas por vezes esquecidas:
01
- Só produzir o que é pedido pelo cliente e só quando ele o pretende, e portanto não constituir
estoques, sejam de produtos acabados ou intermédios em qualquer altura.
02
- Ter prazos de fabricação curtos.
03
-Dispor de uma grande flexibilidade, de forma a poder responder rapidamente a alterações no mercado.
04
-Fabricar pequenas quantidades de cada tipo de peças, subconjuntos ou produtos finais.
05
-Conseguir efetuar uma rápida mudança de ferramentas e uma disposição das máquinas eficaz.
06
-Só comprar as quantidades necessárias à produção que já foi pedida ou encomendada.
07
-Dispor as máquinas e organizar a produção de modo a que se minimizem as esperas ou perdas.
08
-Armazenar as matérias-primas e os produtos semi-acabados junto dos locais onde são necessários, para evitar perdas de tempo e de eficiência no transporte.
09
-Dispor de máquinas e ferramentas altamente fiáveis, de modo a que não se avariem no momento
exato em que são necessárias.
10
-Controlar com muito rigor a qualidade das peças a serem fabricadas.
11
-Só comprar as matérias-primas e os componentes que assegurem uma qualidade superior.
12
-Empregar recursos humanos polivalentes e capazes de se adaptar a uma produção descontinuada.
Meios necessários para mudar para o Just-in-time: - Das regras anteriormente indicadas, decorre uma série de
ações a tomar, numa primeira fase, para começar a preparar a empresa para a implementação desta técnica de gestão. A saber:
Simplificar e
otimizar: - Antes de sequer começar a pensar em implementar um tipo de gestão Just-in-time na empresa, é necessário repensar toda a produção de modo a responder eficazmente aos pedidos dos clientes. A nova arrumação e lay-out da fábrica deverá ser flexível, responder a altos padrões de qualidade, evitar tempos de espera e responder rapidamente a alterações na produção.
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Formar os recursos humanos: - Este ponto é frequentemente esquecido mas é essencial para que a implementação do Just-in-time na empresa se faça com eficácia. A
idéia é a de ensinar o pessoal a funcionar segundo novos moldes, com novos
objetivos e segundo novas regras. A motivação só se consegue se for
efetuado um trabalho conjunto com todos.
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Colaborar com os fornecedores: - Os fornecedores são sempre uma peça chave no desempenho da empresa. No caso do Just-in-time, a sua
atuação é crítica. É preciso estabelecer novas relações com eles para que possam colocar as quantidades necessárias de matérias-primas ou produtos semi-acabados, com elevada qualidade, na altura certa. A relação com os fornecedores passará a assentar mais numa parceria que numa simples compra e venda. Só com o apoio destes é que se consegue uma passagem para o Just-in-time eficaz. É vantajoso para a empresa explicar o seu processo e os seus
objetivos aos fornecedores para que estes possam colaborar com ela. É também mais fácil tratar com um número menos extenso de fornecedores.
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Colaborar com os clientes: - Também é útil que os clientes possam colaborar com a empresa que funciona no regime de Just-in-time. A empresa pode pedir-lhes, por exemplo, ajuda de forma a estabilizar a carga da produção, combinando com eles um programa de entregas. Além disso, é sempre vantajoso para a empresa fazer passar a mensagem aos clientes do aumento de qualidade conseguido.
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Conceber a produção em novos moldes: - Funcionar em Just-in-time represente para a empresa uma alteração profunda das suas práticas. Toda a organização da empresa deve assim ser modificada para responder mais eficazmente. A disposição funcional das
atividades deve ser substituída por linhas de produtos, todo o trabalho de gestão de
estoques de produtos finais ou intermédios deixa de fazer sentido, podendo a empresa colocar estes funcionários a fazer outras tarefas, etc.
Refiram-se três aspectos essenciais:
-
A planificação deixa de ser feita em função de
projeções de vendas, sempre falíveis, e passa a ser efetuada com base em encomendas firmes.
-
Já só é preciso calcular as necessidades a curto prazo, sendo inútil avaliar com precisão as necessidades a longo prazo.
-
Passam a ser desnecessárias várias funções:
controle de estoques, estoques intermédios, as ordens de fabricação,
controle da produção, cálculo dos custos.
Como mudar para o Just-in-Time: - Haverá sempre várias formas de uma empresa mudar a sua produção para começar a aplicar um sistema Just-in-time. Uma estratégia possível é um processo que se divide em dez passos:
01 - Obter a aprovação e o apoio da gestão de topo: é necessário que os dirigentes máximos da empresa estejam conscientes do que significa mudar para o Just-in-time, em termos de custos, de benefícios e de alteração da estrutura da empresa.
02 - Elaborar um plano de implementação realista e compreensível
03 - Convencer os trabalhadores: para esse efeito é necessário dar formação, incentivar a participação de todos, nomeadamente através de círculos de qualidade, e fornecer uma liderança forte.
04 - Na linha de montagem final: estabilizar a produção para que os outputs finais por dia sejam sempre idênticos. Para isso será necessário usar caixas ou outros contentores com peças estandardizadas e facilmente acessíveis, segundo o sistema Kanban.
05 - Nas fases intermédias: reduzir os tempos de espera e o tamanho dos lotes nas várias fases de produção de forma a que correspondam exactamente às quantidades necessárias para a fase final de produção.
06 - Eliminar o inventário do armazém principal e colocá-lo junto da linha de montagem, no local onde as peças são necessárias.
07 - Equilibrar os ritmos de fabricação com os ritmos de montagem final. Isto pode implicar repor algumas peças que faltem; um stock mínimo pode assim ser necessário nesta fase.
08 - Prever espaço livre em todas as áreas ou secções: se houver falhas, será necessário ocupá-lo, com peças ou outras máquinas ou ferramentas, para assegurar a produção e recuperar o tempo perdido.
09 - Colaborar com os vendedores de forma a que o ritmo de entregas se identifique com o ritmo de produção.
10 - Eliminar o inventário que se justificava para gerir a produção a longo prazo e as variações da produção.
Vantagens e desvantagens do Just-in-time: - A principal vantagem do Just-in-time deriva
diretamente da sua definição: - reduzir os custos, essencialmente por três vias:
-
Redução de
estoques: - já não é necessário disponibilizar um espaço e recursos humanos para tratar dos aprovisionamentos.
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Redução de tempo: -
o mesmo nível de produção pode ser atingido em menos tempo, o que permite evitar horas extraordinárias e/ou aumentar a produção face a um aumento pontual da procura.
-
Aumento da qualidade:
- Sendo o output final de maior qualidade, evitam-se custos com peças ou produtos defeituosos além de ser um excelente argumento de venda, reforçando a presença no mercado.
A maior desvantagem deste sistema é a que decorre de incertezas na envolvente da empresa. Se algo não funcionar bem, e o exemplo de uma greve nos transportes é a mais evidente, tudo pode ficar
parado.
Por isso, algumas empresas, além de um sistema de Just-in-time, mantêm também o "just in
case", algum
estoque de segurança que permitirá evitar perdas no caso de problemas com a envolvente, nomeadamente os fornecedores.
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Bibliografia:
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Schroeder, Roger
G. Operations Management; McGraw-Hill; 3ª Edição; 1989
Russomano, Vítor Henrique; Planejamento e Controlo da Produção; Pioneira; 6ª Edição; 2000
Marques, Ana Paula; Gestão da Produção; Texto Editora, 4ª Edição, 1998
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Autor: PME Negócios