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Numa viagem a Irai (RS) de um Representante Comercial em visita, como tantas outras, ele parou a beira da praça principal, para comprar um cesto artesanal, produzido e pintado pela tribo dos Caigangues, para dar de presente à esposa. (Nesta cidade está uma das reservas indígenas dos Índios Caingangues.)
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Conversador como todo bom Vendedor, este mestre do relacionamento, esticou a língua do grupo de índios, a fim de poder aprender mais alguma coisa valiosa, e consegue uma lenda, relacionada à compra que estava fazendo e que fala do
amor e da escravidão...
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A lenda contava que um dos jovens índios da aldeia e a filha do Cacique, foram até a maloca do Pajé. Chegaram de mãos dadas e falaram para ele:
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Nós nos amamos...e vamos nos juntar para sempre, e é tanto o amor que sentimos um pelo outro que gostaríamos que nos
ensina-se uma simpatia ou algum ensinamento, que nos garanta que sempre iremos ficar juntos e unidos, até que a morte nos separe. -
Que você poderia fazer pela gente ?
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O Pajé emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados, tão ansiosos por uma palavra de carinho e apoio, lhes diz: - Tem uma coisa que pode ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada...
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Tu Naipi (o nome da moça), deves trazer uma noite depois da lua cheia, uma coruja branca, mas tem que estar viva e sem machucados, que é o mais importante, e deves usar este cocar até finalizada a tarefa.
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Tu, Tarubá, deves ir rio acima, sempre a favor do vento e trazer um Cardeal adulto, macho, sem machucar e conseguir isso uma noite após a Luca cheia. Serviu-lhes um gotas de cauim e mandou realizar a tarefa...
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Uma noite após a lua cheia, os jovens se apresentaram com a coruja e o cardeal. O Pajé, pediu para os namorados que entregassem seus colares e amarrou uma ponta na outra, e entregou para que eles amarrassem as outras pontas, cada uma, na pata de cada ave...
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Depois mandou que os soltassem para voar. Os pássaros não conseguiam, se debatiam, se batiam, porque obedeciam diferentes sentidos e se assustavam com as asas do outro. Após algumas tentativas eles começaram a se bicar e quase quando começavam a se machucar, o Pajé liberou os pássaros, que voaram livremente para seu lares.
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O Pajé abraçou os dois, caminhando com eles pela mata rumo ao rio, e lhes disse: - Jamais esqueçam o que viram hoje. Esta é
nossa simpatia. Somos como pássaros, se estivermos presos ou amarrados
uns aos outros, ainda que por amor, não somente viveremos nos arrastando, como também, cedo ou tarde,
começaremos a nos machucar...
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Voemos juntos,
ensinemos a voar, acompanhemos o vôo, mas nunca amarrados...
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