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" PORQUE ESTUDAR O FUTURO ? "

Sr. Prof. Sérgio Duarte Velasco

INSTITUTO MVC - ESTRATÉGIA E HUMANISMO

 

Vocês sabiam que a humanidade levou séculos para descobrir a existência de uma relação causal entre o ato sexual e o nascimento de uma criança?

Assim, à queima roupa, começou uma palestra a que assisti sobre liderança. Em meio ao burburinho que se seguiu - este conhecimento parece tão óbvio – voei mentalmente para aqueles tempos e me perguntei: 

  • como seria uma vida humana sem este conhecimento ? 

  • O que, naquela sociedade, seria equivalente à família de hoje ? 

  • Existiria a idéia de pai ? 

  • Como eram vistos a gravidez e o nascimento ?

Meu espanto foi mais além, quando nos foi dito que a expectativa de vida média dos Homens das Cavernas – habitantes da época acima descrita – era cerca de apenas 10 anos. A maioria dessas pessoas não chegava à fase adulta e não procriava; a população crescia muito lentamente e, em conseqüência, também a massa crítica geradora de novos conhecimentos – seres humanos pensantes. Mesmo na Grécia antiga esta expectativa não ia além dos 22 anos. - Era uma época em que a população mal se dava conta das mudanças.

Nesta virada do milênio estamos muito distantes deste mundo. Vivemos uma situação única na História. Existem hoje pelo menos três gerações de cientistas – cérebros em contínua atividade – trabalhando em conjunto, gerando diariamente uma infinidade de novos conhecimentos. Com o aumento da expectativa da vida humana espera-se que em poucos anos mais gerações estarão trabalhando juntas. 

 

Este é um dos impactos do envelhecimento da população mundial - a taxa de conhecimento das próximas décadas continuará a crescer intensamente e, com ela, também o ritmo de mudanças. E nem ao menos estou considerando os efeitos da inclusão da inteligência artificial neste campo.

Hoje, estamos longe de poder reclamar de tédio em nossas vidas. Vivemos numa época em que as mudanças cada vez mais farão parte integrante de nossa existência. Só nos resta aprender a conviver com ela.

Uma das conseqüências da aceleração do ritmo das transformações ao longo dos séculos é a integração progressiva da população mundial. Vejamos alguns fatos e situações que descrevem a lenta e progressiva aproximação das sociedades:

  • Os povos primitivos viviam em pequenas comunidades, a maioria das quais nem sonhava com a existência das demais; 

  • Os primeiros contatos efetivos entre estas sociedades começaram a ocorrer nos séculos XV e XVI durante as viagens exploratórias de alguns países europeus; 

  • A comunicação entre estes mundos era, entretanto, muito precária. Mensagens poderiam levar meses para atingir o destinatário. Imigrações entre esses países constituíam-se em verdadeiras epopéias;

  • O tempo de viagem entre um continente e outro começou a encurtar durante os séculos XVII e XVIII com o aprimoramento dos barcos à vela;

  • A introdução dos barcos a vapor no século XIX provocou verdadeira ruptura na comunicação e nos meios de transporte entre essas sociedades distantes – a maioria das viagens passou a durar menos de uma semana;

  • A economia mundial começou a se globalizar com a utilização do cabo transoceânico (1865) e a comunicação à longa distância (a partir de 1953);

Com o aparecimento dos primeiros aviões a jato em 1958 quase todos os cantos de nosso planeta passaram a ser atingidos em 24 horas. É difícil hoje compreendermos com profundidade os impactos que o uso cada vez mais disseminado do telefone, dos automóveis, dos aviões, da TV, foram provocando ao longo dos tempos na integração mundial. 

 

A Segunda Guerra Mundial, por exemplo, nunca foi vista pela TV, mas a do Vietnam sim. E a do Golfo, ao vivo pela CNN? Qualquer que seja a análise das transformações sociais vindas destas invenções – e nem ao menos estou falando de computadores, Internet, celulares cada vez mais sofisticados, além do uso deles todos em convergência com a própria TV –, de uma coisa podemos ter a certeza: a medida do nosso tempo de hoje é completamente diferente daquela do passado.

  • Vocês acreditam que, em termos de mudanças, os próximos cinco anos poderão ser equivalentes aos últimos 50 ? 

  • Já pensaram o que seria para uma pessoa de 1950 imaginar as transformações que ocorreriam em sua vida até o ano 2000 ? 

Mesmo que esta não seja a relação correta – ela é diferente para cada grupo social - asseguramos que cada cinco anos a mais nesta primeira metade do século XXI conterá progressivamente mais mudanças do que qualquer período idêntico no passado.

Enfrentamos hoje transformações que configuram uma autêntica revolução em nossas vidas. O que fizemos no passado certamente não produzirá os mesmos resultados no futuro. O que fazíamos em 1950, em 1960, ou até mesmo em 1990, daria certo hoje? 

 

Neste ritmo de mudanças, o risco de empreendermos um investimento baseado em uma hipótese errada sobre o futuro é enorme e será cada vez maior. Mas não podemos ficar imobilizados. Como disse Peter L. Berstein, em seu livro Desafio aos Deuses, "Eu sei que não vou acertar o futuro; aliás, eu sei que eu vou errar sobre o futuro. Mas eu não quero ser eliminado pelo futuro."

Constituem um exemplo clássico dos anos 60 as projeções equivocadas de superpopulação mundial para este início de novo milênio. A realidade mostrou uma população quase 50% inferior - seus autores simplesmente se esqueceram de considerar a ação de inúmeras forças redutoras da natalidade. Esta é uma característica indiscutível do futuro – ser imprevisível. Nesta nossa atividade, jamais pretendemos prever o futuro.

Mudanças aceleradas aumentam o risco das decisões e nos forçam a buscar novas metodologias que nos auxiliem a visualizar o longo prazo (lembrem-se de como os próximos cinco anos serão diferentes). Neste contexto, o estudo do futuro se traduz como um processo de pensamento capaz de tornar mais conhecidas as diversas possibilidades futuras e aumentar nosso poder para influenciar o que irá ocorrer. Objetivamente, pretende-se com esta atividade ajudar pessoas a antecipar e a se preparar para o imprevisível. São os seguintes seus principais resultados:

  • A criação de futuros hipotéticos amplia nosso conhecimento a respeito dos principais sistemas que interagem para a formação do ambiente em que vivemos;

  • A compreensão dos impactos destas hipóteses de futuro sobre nossas vidas nos dá capacitação para antecipar ações que atuem sobre os sistemas de nosso interesse;

  • Pessoas e organizações ampliam a compreensão de suas crenças - muitas das quais extremamente limitadoras - a respeito do futuro,. 

Esta atividade é, portanto, um processo que nos ajuda antecipar possibilidades futuras e estruturar as incertezas com as quais nos defrontaremos em nossa marcha para o longo prazo. Infelizmente, sua prática não é bem compreendida e várias vezes é rejeitada porque confundida com simples previsões. 

 

Nossa experiência mostra que, sob o impacto de mudanças não antecipadas, esforços e recursos são gastos desnecessariamente com questões operacionais e com a solução dos problemas surgidos. Michel Godet, renomado estudioso do futuro, nos empresta uma frase que alerta para este risco:

 

"A antecipação não é prática disseminada entre os tomadores de decisão; quando as coisas vão bem eles a dispensam mas, quando as coisas vão mal, é muito tarde para eles verem além da ponta de seus narizes".

Sr. Prof. Sérgio Duarte Velasco

Vice-Presidente do Instituto MVC

 

Sérgio Duarte Velasco - Vice - Presidente do Instituto MVC Consultor na Área de Estratégia, Planejamento e Finanças, acumulando a Coordenação Geral e a Vice-Presidência da Área de Pesquisas e Publicações do Instituto MVC – M. Vianna Costacurta Estratégia e Humanismo. Graduado em Telecomunicações pela PUC-RJ, com MBA em Business Administration pela UCLA - Univ. Califórnia. Atuou como Analista de Sistemas da IBM por 2 anos e por 13 anos no Mercado Financeiro, como Sócio-Diretor de Distribuidora de Valores Mobiliários. Autor de artigos publicados no Estado de São Paulo. Autor do livro Futuro: Prepare-se! e do mais recente lançamento Nas Ondas do Futuro. Editor do Site Ameaças e Oportunidades e do e-mail do Triunfo. - Site: http://www.institutomvc.com.br


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