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erros e acertos na inovação de produtos

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SALA DOS ARTIGOS DE INOVAÇÃO

Num processo de produção, os resultados inesperados se chamam "problemas de qualidade". Mas, nos processos de inovação, os acidentes podem abrir as portas a desenvolvimentos revolucionários e Milhões de consumidores do Viagra podem dar fé disso...

A princípios dos anos 90, um grupo de pesquisadores de um centro de I+D do laboratório Pfizer tentava desenvolver uma droga contra problemas cardiovasculares. No entanto, quando provaram seus primeiros avanços num grupo de pacientes descobriram que o remédio não tinha efeito para os fins que se propunham. A droga, não obstante, sim parecia ter outros efeitos  e muito interessantes...
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Assim nasceu o Viagra, não só a inovação farmacêutica mais rentável dos últimos anos senão também uma autêntica revolução cultural. Agora bem, assinala uma
pesquisa da escola de negócios do MIT, o Viagra é mais um exemplo do impacto dos erros e acertos nos processos de inovação, onde pesquisadores que fracassaram em resolver um problema acabaram produzindo um desenvolvimento revolucionário em outro âmbito (Artigo: michelin e seus guias rodoviários).

Outro exemplo: Em 1965, o treinador assistente da equipe de futebol americano da Universidade da Flórida, The Gators, estava assombrado pela quantidade de jogadores afetados pelo calor e seus mal-estares relacionados às altas temperaturas. Um grupo de físicos descobriu que a perda de carboidratos e eletrolíticos durante o esforço físico esgotava aos jogadores, e se propuseram desenvolver uma bebida balanceada que pudesse substituir estes componentes essenciais no corpo dos futebolistas da equipe The Gators.

E a batizaram com o nome de Gatorade pelo time que era Gator's. Esta bebida foi tão exitosa que em 1969 já era utilizada por equipes profissionais da NFL - União Nacional de Futebol e se converteu num sinônimo de sucesso desportivo em todos os âmbitos. Em 1988 se inaugurou o Instituto da Ciência Gatorade, como parte do compromisso da marca em ser o melhor produto de hidratação do mundo. Desde esse momento novos produtos e sabores começaram a desenvolver-se.
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A associação da marca Gatorade com várias figuras do esporte mundial, desde Tiger Woods até Maria Sharapova, é parte de uma estratégia bem dirigida para posicionar a bebida como "a eleição dos atletas". Hoje os consumidores o consideram bem mais do que uma bebida. E ainda que a concorrência é cada vez mais forte, Gatorade tem uma boa disposição para manter sua liderança na batalha das bebidas desportivas.

Mas, como se explica o fenomenal potencial dos acidentes à hora de realizar descobertas revolucionárias?: Geralmente, nossas rotinas e estruturas mentais nos impedem ver além de nossos narizes, isto é, além de nossas práticas habituais e enfoques tradicionais. Os processos de inovação corporativa, em seu afã por reduzir riscos, costumam associar erros com fracassos. Afinal de contas, um resultado imprevisto num processo de desenvolvimento implica uma perda de tempo, dinheiro e um atraso do "time-to-market". Assim, desalentando os acidentes, muitas empresas perdem a oportunidade de beneficiar-se de seus erros como trampolins para inventos revolucionários. Neste marco, a investigação do MIT oferece algumas pautas para incorporar uma "cultura do acidente" nos processos corporativos de inovação:

1) Criação de equipes multidisciplinares e multiculturais: A equipe de desenvolvimento da Palm V incluiu um engenheiro, um MBA, um lingüista, um especialista em marketing, um psicólogo e um biólogo. As idéias mais interessantes surgem quando pessoas de diferentes origens cruzam seus caminhos. A maior variedade de "background", maiores probabilidades de do que um acidente possa disparar um ulterior desenvolvimento numa direção inicialmente impensada.

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2) Baratear os fracassos para incentivar a tomada de riscos: Enquanto é verdade que os acidentes podem conduzir a inovações revolucionárias, também é verdade que a maior parte dos resultados anômalos não conduzirá a nenhum lado. E, logo, cada acidente custa tempo e dinheiro. Portanto, para rentabilizar os erros, estes devem ser relativamente baratos. Afinal de contas, que gerente de projeto se arriscará a aventurar-se num terreno desconhecido se um par de anomalias consumirão todo seu orçamento? A tecnologia pode servir para reduzir o custo dos acidentes. Na indústria farmacêutica, por exemplo, as simulações de computador permitem realizar experimentos a muito baixo custo, minimizando as perdas de cada erro e gerando incentivos a correr riscos razoáveis nas investigações. Este princípio pode aplicar-se praticamente em qualquer indústria (Artigo: NATHAN GOLDMAN CARRINHOS DE SUPER).

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3) Criar uma cultura do risco razoável: O ponto anterior permite alinhar incentivos para a tomada de riscos nos processos de inovação. E esta direção pode reforçar-se através da criação de uma cultura onde os acidentes não sejam considerados como fracassos, senão como um componente necessário de qualquer processo criativo exitoso. Quando os bônus da equipe de desenvolvimento penalizam severamente os erros, provavelmente seus membros se imporão objetivos facilmente alcançáveis, sacrificando oportunidades de desenhar produtos revolucionários. Mas, como escreveu o filósofo da ciência, Karl Popper, pouco avançaria nosso conhecimento se os cientistas se limitassem a enunciar as hipóteses que melhor se ajustem às evidências das que dispõem em lugar de construir conjeturas audazes (e de altas probabilidades de erro).

Mais audácia implica mais acidentes e mais potencial de gerar inovações disruptivas. A chave, logo, radica em encontrar um portfólio equilibrado de inovações para que o departamento de desenvolvimento de produtos não se converta num buraco negro que queime orçamento a toda máquina, sob a promessa de que algum dia ocorrerá um acidente revolucionário para a indústria.

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